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Sindicato relata roubos, danos e conflitos em defesa de projeto que proíbe clientes de exigir que entregador de aplicativo suba até apartamentos em Cachoeirinha

Em pronunciamento na Tribuna do Povo da Câmara Municipal de Cachoeirinha, representantes do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindimoto-RS) reforçaram o apelo aos parlamentares locais para a aprovação do Projeto de Lei do Legislativo nº 74/2026. Protocolada oficialmente na quarta-feira, 23 de abril, a proposta é de autoria do vereador Léo da Costa (PT) e do vereador Paulinho da Farmácia (PDT) e visa regulamentar as condições de trabalho e garantir mais segurança para a categoria de tele-entrega no município.

O texto proíbe que os entregadores sejam obrigados a adentrar as dependências internas ou subir até os apartamentos de prédios residenciais e comerciais. Pelo projeto, o local padrão de entrega passa a ser rigorosamente a portaria, recepção ou entrada principal do condomínio, cabendo ao próprio consumidor retirar o pedido. A medida prevê exceções humanitárias: pessoas com mobilidade reduzida, com deficiência, idosos, gestantes e lactantes poderão solicitar previamente o recebimento em áreas comuns internas.

De acordo com o Delegado Sindical do Sindimoto-RS, Rodrigo Farias, conhecido como “Digão”, a falta de uma regulamentação clara gera constantes transtornos diários e grave insegurança física e patrimonial aos trabalhadores. Farias explicou que, enquanto alguns condomínios facilitam o acesso, outros proíbem a entrada de motos, exigindo que o trabalhador faça o percurso interno a pé.

“A questão maior não é a proibição de entrar, mas sim o fato de nos obrigarem a deixar o nosso maior patrimônio e ferramenta de trabalho — a moto — na rua, desprotegida. Ficamos à mercê de roubos, furtos e avarias enquanto realizamos a entrega interna”, destacou o delegado, solicitando o voto favorável de todos os parlamentares da casa.

Complementando a defesa da pauta, o Diretor do Sindicato, Douglas Benítez, ressaltou o caráter protetivo da medida para evitar conflitos na Região Metropolitana, relatando uma experiência própria marcante para ilustrar a vulnerabilidade dos entregadores.

“Eu pessoalmente já sofri com isso. Entrei em um condomínio para fazer entregas e, quando voltei, minha moto estava jogada no chão. O porteiro simplesmente me disse que um carro havia batido nela e fugido, e nós ficamos sem saber de quem era a responsabilidade. Esse tipo de projeto de lei evita atritos e nos protege”, afirmou Benítez.

Segundo o autor do projeto, vereador Léo da Costa, a iniciativa surge justamente após episódios recentes de conflito envolvendo entregadores na cidade, buscando promover respeito, reduzir riscos e fortalecer a dignidade da categoria. O projeto estabelece ainda que os condomínios terão um prazo de até 180 dias para se adequarem, criando espaços apropriados para o recebimento de encomendas. Em caso de descumprimento, a proposta prevê advertência na primeira ocorrência e multa em caso de reincidência.

O Sindimoto-RS enfatiza que a legislação proposta não visa criar barreiras, mas sim dialogar com a realidade prática e os riscos enfrentados pela categoria, trazendo segurança jurídica e física a quem atua no setor. O Projeto de Lei nº 74/2026 agora segue para tramitação regulamentar nas comissões internas da Câmara de Cachoeirinha.

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