RAFAEL MARTINELLI

Sobrepreço em cestas básicas para atingidos pelas inundações pode ser debitado na conta da reeleição do prefeito Cristian; O ‘Jogo dos Quantos Erros’ em Cachoeirinha

Pichações de 'Fora Cristian' começam a aparecer em Cachoeirinha

As pichações ‘Fora Cristian’, que começam a aparecer por Cachoeirinha, em móveis descartados por atingidos pelas inundações, assim como acontece com Sebastião Melo (MDB) em Porto Alegre, antecipam que o sobrepreço na compra de cestas básicas pode ser debitado na conta da reeleição do prefeito Cristian Wasem (MDB).

A denúncia, feita pelo jornalista Giovani Grizotti e o Grupo de Investigação da RBS, revelada no Jornal do Almoço de sexta, e descrita pela apresentadora Cristian Ranzolin como “absurdo”, já provoca repercussões sociais e políticas; leia a reportagem, com as explicações da Prefeitura e da empresa, em Com 1kg de açúcar a R$ 27, cestas básicas compradas pela prefeitura de Cachoeirinha para atingidos pela enchente têm sobrepreço – Município adquiriu itens de empresa com valores que somam R$ 491 mil. Representantes da prefeitura e da empresa deram versão distintas para justificar diferenças com valor de mercado.

Assista a seguir ao vídeo do JA e, abaixo, sigo.

Os contornos de escândalo, pela denúncia ter viralizado nas redes sociais, e, além da RBS, GZH e Rádio Gaúcha, ter sido manchete nacional no G1, já suscitam constrangimentos públicos aos governistas.

Neste sábado, o vice-prefeito Delegado João Paulo (PP) e o chefe da Defesa Civil Vanderlei Marcos foram cobrados na Vila Eunice, onde moradores temiam a subida das águas debvido a mais uma paralisação de gerador da casa de bombas.

– O prefeito sumiu!

– Está nas doações o youtuber!

– Reunião para quê, se já se sabe o problema? Para enrolar?

– Tem gente que já limpou a casa, mas não dorme mais, com medo de perder tudo!

Críticas do tipo estão em vídeos obtidos pelo Seguinte:. Em um deles o vice-prefeito aparece praticamente como réu confesso do ‘não procuremos culpados’, ao dizer que a casa de bombas funciona “no improviso”.

O aluguel do gerador custa R$ 200 mil a Prefeitura.

No meio político, a bomba também explodiu.

– É preciso ver as repercussões – disse ao Seguinte: um influente líder de partido da base do governo, sob condição de anonimato.

Um experiente advogado também disse ao Seguinte: que estuda protocolar um pedido de impeachment.

Apesar de não confirmar ainda, a apresentação da solicitação de abertura de uma CPI é conseqüência obvia, assim como o autor, o vereador David Almansa (PT), que já investigava o superfaturamento nas cestas.

A dúvida é se a base parlamentar de Cristian vai blindar o governo.

– Alguém vai ganhar mais cargos – resume um político, também do governo, já antevendo a necessidade de ‘convencer’ os vereadores a não embarcarem em uma comissão processante de impeachment e nem em 90 dias de uma CPI, que se arrastaria até a eleição.

Hoje faltam corajosos para liderar a defesa do governo na sessão da próxima terça-feira.

Por ordem do presidente da Câmara, Edison Cordeiro (Republicanos), as sessões tem ocorrido a portas fechadas, sem a presença da comunidade, sob a desculpa do município estar em estado de calamidade.

Além de rumores de quase vias de fato entre integrantes do governo entre paredes de secretarias, duas personagens notórias em Cachoeirinha também trocaram provocações no grupo de WhatsApp Sui Generis.

O ex-prefeito Maurício Medeiros, do mesmo MDB de Cristian, e o assessor especial do prefeito e presidente municipal do partido, André Lima.

André Lima tem sido porta-voz e escudo do prefeito. Descreveu o escandaloso sobrepreço de até 2.500% (DOIS MIL E QUINHENTOS POR CENTO) como “erro”, assim como fizera na semana passada em denúncia exclusiva do Seguinte: sobre notas de empenho indicarem conta pessoal de servidora como destino para ajuda humanitária do governo federal de R$ 3 milhões (TRÊS MILHÕES DE REAIS); leia dddd.

Até o momento, em nenhum dos casos há investigação aberta pelo sistema de justiça, registre-se. Uma sindicância foi aberta pela Prefeitura, que não informou sobre demissões – para demitir CCs, cargos de indicação política, não é preciso abrir procedimentos legais, basta a vontade do prefeito.

A única investigação em curso, sem denúncia formal e nem mesmo depoimento tomado do prefeito, refere-se a compra de lousas digitais, também sob suspeita de superfaturamento, a partir de operação da Polícia Federal que visitou a Prefeitura e a casa de Cristian; leia em Policiais federais vão até casa do prefeito Cristian em Cachoeirinha; Veja vídeo.

Ao fim, quem me acompanha sabe que não sou daqueles que permitem aos políticos apenas presunção de culpa.

Reputo, porém, há o ano eleitoral como fator de análise. Aí, resta Cachoeirinha sob aquela velha máxima: sabe-se como eleição começa, nunca como termina. O ‘Imponderável de Almeida’ é sempre um candidato oculto.

Fato é que, neste ‘Jogo dos Quantos Erros’, o último de meio milhão de reais, o povo está brabo e já é possível ver fumaça na ‘República dos Vereadores’. As denúncias ameaçam incendiar a casa da reeleição de Cristian, até então favorito. O contágio não poderia ser outro. O sobrepreço foi sobre cestas básicas para os ‘pobres inundados de sempre’.

Sem torcida ou secação: as ruas estão falando.

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