Paulo Cesar Agliardi, o Tetê, quer ser o deputado federal que Cachoeirinha precisa. A confirmação da pré-candidatura ocorreu durante a plenária estadual do Avante, realizada na Câmara de Cachoeirinha, onde a sigla apresentou parte dos seus 26 nomes que estarão nas urnas em outubro. O projeto de Tetê carrega o peso de tentar devolver ao município um protagonismo perdido em Brasília desde a saída de José Stédile do Congresso Nacional.
Os tempos, porém, são outros. Diferente da época em que o ex-prefeito cumpriu seus dois mandatos, a engrenagem do poder na capital federal inflou. Hoje, a chave do cofre atende pelo nome de emendas parlamentares: são R$ 250 milhões garantidos a cada deputado federal ao longo de quatro anos de mandato.
Ao Seguinte:, Tetê revelou suas prioridades. Apontou que, assim como a mãe, a prefeita Jussara Caçapava, move-se por uma obstinação pela saúde pública. Contudo, mantém os olhos fixos na infraestrutura e, fundamentalmente, na resiliência climática — uma urgência dramática para uma cidade que ainda cura as feridas das cheias. O alvo central das futuras articulações já está mapeado: o PAC do governo federal, que reserva R$ 6,5 bilhões para obras contra enchentes na Região Metropolitana.
Pesa a favor do agora pré-candidato uma característica moldada especialmente durante a complexa engenharia que resultou no impeachment do ex-prefeito Cristian Wasem e do vice Delegado João Paulo: aquilo que chamo de ‘pragmatismo implacável’.
Apesar de carregar um DNA popular e progressista bem definido, Tetê não calça a ferradura ideológica antes do interesse público. Hábil na mesa de negociações e respeitado no meio político como um “cumpridor” de acordos — virtude celebrada publicamente por Jussara Caçapava na abertura do evento —, ele entende que a política das portas abertas traz mais resultados do que o espetáculo das redes sociais.
Foi essa capacidade de transitar entre opostos que permitiu construções aparentemente contraditórias, mas milimetricamente calculadas para o município.
No plano estadual, o apoio a Gabriel Souza (MDB) ao Palácio Piratini, um legítimo ‘extremo centrista’, herdeiro do projeto de Eduardo Leite (PSD), costurado em parceria com o ex-deputado Dimas Costa (PSD) — o ‘embaixador’ do governador na região e principal dobradinha de Tetê. No plano nacional, o apoio ao lulista de centro-esquerda Paulo Pimenta (PT) para o Senado.
Na capital federal, onde a Realpolitik é tão seca quanto o clima do Planalto Central, esse jogo de cintura não é apenas útil, é vital. O dia é para os do dia, a noite é para os da noite, afinal.
Tetê demonstrou ter estômago e competência para esse cenário ao costurar a megacoligação de nove partidos e 11 vereadores que garantiu a vitória de Jussara na eleição suplementar. É dele também a assinatura na engenharia da nominata do Avante, que inclui o vereador Gelson Braga, e a audácia de trazer para o solo gaúcho o badalado escritor best-seller Augusto Cury, pré-candidato do partido à Presidência.

O vendedor de sonhos
Ao fim, apostar que a eleição de Tetê é uma impossibilidade matemática significa desconhecer a atual geografia política do Rio Grande do Sul. O Avante concentrou suas forças exclusivamente nas candidaturas à Câmara Federal, jogando todas as fichas na eleição de um deputado para romper a cláusula de barreira e garantir sobrevivência institucional.
Como Cachoeirinha tornou-se, na prática, a capital do Avante no Estado — abrigando a única prefeitura controlada pela sigla em solo gaúcho —, o município deixa definitivamente a condição de coadjuvante.
Se a política exige mais pragmatismo do que coração de mãe, Tetê decidiu que é hora de testar seu tamanho, já demonstrado nos bastidores, diretamente no voto popular. A conferir se as urnas chancelarão o pragmatismo implacável que, até aqui, recolocou a cidade no mapa do poder estadual.
“Vendedor de Sonhos” é o nome de uma das obras de Cury, presidenciável do partido, que figura entre as mais vendidas no Brasil e no mundo.






