“Quando riso, óh quanta alegria, mais de mil palhaços espalhados no salão…”
A marchinha que atravessou décadas na memória dos foliões volta a fazer sentido neste sábado, a partir das 16h. O Clube Social Negro Seis de Maio será o responsável pela retomada dos tradicionais bailes de Carnaval de Gravataí — justamente no ano em que completa 70 anos de história.
Fundado em 1956, o Seis de Maio nasceu em um tempo em que a população negra era impedida de participar dos grandes bailes realizados nos clubes da cidade. Seis homens negros decidiram, então, criar um espaço próprio de convivência, lazer e resistência cultural.
Era mais que um clube. Era afirmação de identidade.
Do salão à escola de samba
Na década de 1960, dos encontros e da efervescência cultural do Seis de Maio surgiu a ideia de formar a Acadêmicos de Gravataí, fortalecendo ainda mais o Carnaval no município.
O salão que antes simbolizava resistência tornou-se também berço de tradição carnavalesca.
Anos depois, por volta de 2009, a chama foi mantida acesa com o Mini Bloco — iniciativa voltada às crianças da comunidade. O que começou como uma volta simbólica na quadra, com um pequeno grupo fantasiado, transformou-se em tradição passada de geração em geração.
Fantasias confeccionadas pelos próprios integrantes do clube, desfiles pelo bairro Porto Belo e o sentimento de pertencimento ajudaram a formar jovens que hoje integram a própria escola de samba.
O Carnaval, ali, deixou de ser apenas festa. Tornou-se formação cultural.
O retorno da folia
Em 2026, o Seis de Maio abre novamente as portas para um Carnaval de salão pensado para toda a família.
A programação contempla público infantil e adulto, com concurso de fantasia nas duas categorias e premiação para os trajes mais criativos.
A animação ficará por conta do CarnaGlau, com repertório de marchinhas tradicionais — aquelas que não precisam de telão nem de streaming para serem cantadas em coro.
Os ingressos custam R$ 15 (individual) e R$ 25 (duplo/casal). Para crianças até 12 anos, o ingresso é solidário: 1 kg de alimento não perecível.
Confetes, serpentinas e nostalgia dividem espaço com algo maior: a reafirmação de um patrimônio afetivo e histórico da cidade.
Sete décadas depois de sua fundação, o Seis de Maio prova que o Carnaval não vive apenas na lembrança.
Ele volta a ocupar o salão.






