A definição veio na noite desta quinta-feira, ainda que não confirmada oficialmente.
Conforme o Seguinte: apurou com exclusividade, em reunião reservada, o prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) e o vice-prefeito cassado Delegado João Paulo Martins (MDB) bateram o martelo: a chapa que vão apoiar na eleição suplementar do dia 12 de abril em Cachoeirinha será formada por dois vereadores, Claudine Silveira (PP) para prefeita e Cleo do Onze (MDB) para vice.
O Seguinte: já havia revelado, com exclusividade, as articulações para o lançamento de Claudine, esposa de João Paulo.
Cristian, mesmo inelegível por oito anos após o impeachment, quer ser o ‘Grande Eleitor’ da suplementar. Não pode concorrer — mas pode medir seu espólio eleitoral.
E — tendo João Paulo como parceiro de mesa — decidiu ele dar as cartas.
A escolha não foi intuitiva. Foi estatística.
O grupo encomendou uma série de pesquisas para consumo interno. A leitura feita por Cristian e Delegado é que Claudine e Cleo representam melhor o projeto político que governava Cachoeirinha desde 2022 e foi interrompido pelo impeachment de janeiro.
A baixa rejeição da advogada, vereadora de primeiro mandato e ainda pouco conhecida, é vista como uma vantagem.
O alvo também é o eleitorado conservador que, em 2024, deu a Cristian uma vitória de 7 a 1 sobre David Almansa (PT). Esse capital político, avaliam, não evaporou.
Nos bastidores, fonte do grupo do prefeito confirma: alianças com o PT de Almansa ou com o PSB do ex-prefeito José Stédile deixavam Cristian “desconfortável”.
A palavra é elegante.
Na prática, significaria diluir a narrativa do impeachment tratado como “golpe” e misturar campos ideológicos que, na base eleitoral, se repelem.
A aposta agora é outra: candidatura própria, identidade clara e confronto direto com a prefeita interina Jussara Caçapava (Avante), que já anunciou Mano do Parque (PL) como vice.
MDB: partido-partido
A aprovação de Claudine no PP, na convenção de domingo, é tratada como certa.
O problema está no MDB.
A confirmação de Cleo como vice depende de votação que se projeta apertada na convenção deste sábado. Fala-se em “voto a voto”.
O partido está dividido entre o grupo fiel a Cristian e o grupo que prefere embarcar na reeleição de Jussara.
Há uma aposta clara na pressão da direção estadual. Interlocutores do ex-prefeito afirmam que o comando do MDB no Estado sinalizou interesse em manter o partido em chapa majoritária.
Mas há um fator corrosivo: os rumores cada vez mais fortes de que Cristian pode deixar o MDB e migrar para o União Brasil para viabilizar a candidatura da esposa, Fabi Medeiros, a deputada estadual em outubro.
Se o principal líder político da sigla troca de partido, que autoridade mantém sobre a convenção?
É a pergunta que ecoa.
O teste do ‘Grande Eleitor’ — e o plebiscito (ou não)
Cristian tenta conectar várias pontas: a federação PP-União Brasil, a candidatura de Claudine, a manutenção de uma maioria no MDB, o palanque para outubro para eleição da esposa Fabi Medeiros a deputada estadual e a consolidação de sua imagem como liderança que sobreviveu ao impeachment.
É um movimento de alto risco.
Se a chapa performar bem, ele se consolida como fiador de votos.
Se não, a narrativa do ‘Grande Eleitor’ desmorona.
A eleição suplementar, que até poucos dias parecia caminhar para um WO de Jussara, ganha contornos de disputa real.
Cristian escolheu seus candidatos.
E decidiu medir, nas urnas, o tamanho do seu legado — seja a eleição um plebiscito, ou não.
Almansa e Stédile serão candidatos? Acompanhe meus próximos artigos.
PT e PSB tem convenções neste sábado.
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