RAFAEL MARTINELLI

Fabi Medeiros, esposa de Cristian, pode se filiar a qualquer momento ao UB para concorrer a deputada por Cachoeirinha; os reflexos

Fabi Medeiros e Cristian Wasem

A filiação de Fabi Medeiros ao União Brasil pode ocorrer a qualquer momento desta quarta-feira.

O movimento envolvendo a esposa do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) provoca uma crise interna no partido em Cachoeirinha e tem potencial de refletir na convenção do MDB, marcada para sábado, que define a estratégia eleitoral no ‘estreitamento de inimizades’ da eleição suplementar.

O Seguinte: já havia antecipado no dia 9 que Cristian negociava a filiação ao partido para facilitar uma candidatura de Fabi à Assembleia Legislativa; leia em Mesmo inelegível, Cristian prepara troca de partido e pode empurrar MDB para o apoio a Jussara em Cachoeirinha — com André Lima & tudo.

Agora, a confirmação política do movimento aparece em documento da direção municipal do UB, em resposta à notificação enviada pela Executiva Estadual.

“Há informação de articulação com o ex-prefeito e de filiação da ex-primeira-dama já agendada para a quarta-feira, sem qualquer consulta ou construção conjunta com o Diretório Municipal. Trata-se de movimento externo à direção local, estruturado à revelia da base partidária do município”, diz trecho do documento assinado pelo presidente municipal Francisco José Lopes de França

O Seguinte: teve acesso aos documentos internos do UB.

No dia 14, a Comissão Executiva Estadual do União Brasil, presidida pelo deputado federal Luiz Carlos Busato, notificou o Diretório Municipal de Cachoeirinha sobre a abertura de procedimento para análise de conduta partidária, com possibilidade de medida cautelar — inclusive intervenção.

A notificação aponta três eixos centrais: aliança do diretório municipal com a atual gestão, contrariando orientação estadual de oposição; aceitação de cargos na administração municipal sem diálogo com o Estado; e falta de alinhamento político e inoperância partidária.

O documento concede 72 horas para defesa e deixa no ar a hipótese de intervenção para reposicionar o partido fora do governo Jussara e afastá-lo do apoio à reeleição da prefeita interina.

A resposta do diretório municipal foi imediata.

O comando local sustenta que: a autonomia municipal é princípio basilar e não pode ser sufocada por centralização estadual; não houve orientação formal descumprida; as imputações são genéricas e desprovidas de documentação; e divergências políticas não podem ser transformadas em infrações disciplinares.

Mais que uma defesa técnica, o texto é uma declaração política: o diretório municipal não aceitará intervenção “arbitrária”.

O documento lembra que a decisão da direção estadual do partido de alinhamento com PL e PP na eleição ao Palácio Piratini também não teve consulta aos diretórios municipais. “Se no plano estadual se admite liberdade estratégica conforme o contexto político, não se pode pretender impor cerceamento absoluto à autonomia municipal”, diz trecho.

A crise revela a disputa sobre o rumo do partido em Cachoeirinha — permanecer no governo interino ou se reposicionar na oposição.

É nesse contexto que a possível filiação de Fabi cai como bomba.

Se o UB municipal mantém espaço no governo interino de Jussara Caçapava (Avante) e, ao mesmo tempo, abre a porta para o grupo de Cristian, cria-se uma equação delicada, já que o ex-prefeito, mesmo inelegível por oito anos, tenta se consolidar como ‘Grande Eleitor’ de uma candidatura de oposição na eleição suplementar.

Invariavelmente, a filiação, se confirmada, impacta diretamente a convenção do MDB deste sábado.

O MDB vive um racha.

Dos cinco vereadores, quatro votaram pela cassação de Cristian. A eventual migração do principal líder político da sigla — ou mesmo apenas sua esposa — para o UB enfraquece a ala que defende candidatura própria de oposição e fortalece o grupo já integrado ao governo interino.

As perguntas que restam: o MDB terá candidato? Comporá com outro nome de oposição? Ou embarcará, de vez, na base de Jussara?

A entrada de Fabi no UB tem potencial para acelerar essa resposta.

Ao fim, a indefinição sobre uma unidade — e o estreitamento de inimizades — da oposição resta tamanha que poderemos testemunhar um Dos Grandes Lances dos Piores Momentos: Jussara ganhar por W.O, sem candidatura adversária.

Ao menos à altura.

Nunca terá se articulado tão mal tão bem.

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