Há poucos dias revelei um nome novo no estreitamento de inimizades que é a eleição suplementar de Cachoeirinha: Claudine Silveira (PP). Agora, trago outra exclusiva.
Sueme Pompeo de Mattos (PDT) é o nome que começa a circular nas prospecções de cenário — ainda longe do on, mas cada vez mais presente nas conversas em off.
O Seguinte: ouviu, sob condição de anonimato, mais de uma dezena de fontes de diferentes partidos envolvidos na eleição de 12 de abril. O diagnóstico converge: Sueme seria hoje o único nome com potencial de evitar uma candidatura própria do PT e, ao mesmo tempo, unir a oposição.
A equação é pragmática.
Sueme teria simpatia do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) e também aparece na lista do vice cassado Delegado João Paulo Martins (PP). Posicionou-se contra o impeachment. Seu trabalho frente à Secretaria de Desenvolvimento ganhou simpatia também do empresariado.
Caso receba a bênção de Cristian, teria a menor rejeição dentro do PT para viabilizar uma aliança ampla da oposição.
Por quê?
Porque representa Juliana Brizola, pré-candidata ao Palácio Piratini, nome que pode ser abraçado pelos petistas em articulação já iniciada pelo presidente Lula no plano nacional. A aliança PT–PDT é realidade em Brasília e pode se reproduzir no Rio Grande do Sul.
É a única variável capaz de provocar revisão na decisão formal do diretório petista, que já definiu lançar candidatura própria.
Hoje, o nome mais forte no PT é o do vereador Léo da Costa, com petistas ainda tentando recompor a unidade partidária com o lançamento de uma chapa pura ao lado de Gustavo Almansa.
David Almansa, candidato nas duas últimas eleições, teria se retirado da disputa.
O medo do ‘efeito MarxDonalds’
O ex-prefeito José Stédile (PSB) tenta articular candidatura, mas busca unidade. Seu nome, porém, enfrenta resistências dentro do PT.
Há temor de que uma frente ampla que inclua conservadores e até bolsonaristas repita o trauma recente.
O receio interno é reviver a experiência da coligação de 2024 — a chapa que chamei de ‘MarxDonalds’ — união forçada entre campos ideológicos que se repeliam nas bases, o lulista Almansa e bolsonarista Dr. Rubinho (PSDB).
Sueme, neste contexto, seria a alternativa menos indigesta.
Sueme também é citada como possível vice de Stédile — ou cabeça de chapa em uma grande aliança.
Outro nome já revelado pelo Seguinte:, Claudine Silveira (PP), segue no radar.
E há ainda o vereador Cleo do Onze (MDB), fiel a Cristian e contrário ao impeachment, que pode ser candidato próprio ou vice em diferentes composições.
O problema: o MDB está dividido. Dos cinco vereadores, quatro votaram pela cassação.
Se Cristian deixar o MDB e migrar para o União Brasil, como revelei dias atrás, enfraquece o grupo que deseja candidatura própria de oposição. E fortalece o MDB que já integra o governo interino e pode apoiar Jussara Caçapava (Avante).
O presidente estadual do UB, deputado federal Luiz Carlos Busato, já enviou documento pedindo esclarecimentos à direção municipal sobre o apoio do partido a Jussara — o que levanta suspeita de intervenção e abre caminho para eventual filiação de Cristian e da esposa, Fabi Medeiros, que concorreria a deputada estadual em outubro.
A kryptonita
Mas há um movimento de bloqueio político que pode inviabilizar uma unidade da oposição em torno de Sueme.
Ela é primeira suplente do PDT. O vereador Paulinho da Farmácia pode se licenciar do mandato para coordenar a campanha de Jussara e preparar uma candidatura a deputado federal.
Se isso acontecer, Sueme assume cadeira na Câmara.
E, uma vez vereadora em exercício, a dinâmica eleitoral muda. Pode ganhar visibilidade — ou ficar politicamente amarrada.
Paulinho segura, neste momento, a kryptonita.
Ao fim, às vésperas do fim do prazo das convenções — domingo —, há apenas uma chapa confirmada: Jussara Caçapava como candidata à reeleição, com Mano do Parque (PL) de vice.
O governo trabalha com a vantagem da máquina, da visibilidade e da divisão adversária.
Pesquisas estão sendo feitas pela oposição para balizar a decisão. As reuniões são diárias. Todos conversam com todos.
Hoje, porém, o fato político é outro.
O nome novo no jogo é Sueme.
Se vai resistir às pesquisas, às indefinições da oposição e à kryptonita, saberemos até domingo.
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