RAFAEL MARTINELLI

Às vésperas das convenções, um nome novo pode unir oposição em Cachoeirinha: Sueme — e a kryptonita

Há poucos dias revelei um nome novo no estreitamento de inimizades que é a eleição suplementar de Cachoeirinha: Claudine Silveira (PP). Agora, trago outra exclusiva.

Sueme Pompeo de Mattos (PDT) é o nome que começa a circular nas prospecções de cenário — ainda longe do on, mas cada vez mais presente nas conversas em off.

O Seguinte: ouviu, sob condição de anonimato, mais de uma dezena de fontes de diferentes partidos envolvidos na eleição de 12 de abril. O diagnóstico converge: Sueme seria hoje o único nome com potencial de evitar uma candidatura própria do PT e, ao mesmo tempo, unir a oposição.

A equação é pragmática.

Sueme teria simpatia do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) e também aparece na lista do vice cassado Delegado João Paulo Martins (PP). Posicionou-se contra o impeachment. Seu trabalho frente à Secretaria de Desenvolvimento ganhou simpatia também do empresariado.

Caso receba a bênção de Cristian, teria a menor rejeição dentro do PT para viabilizar uma aliança ampla da oposição.

Por quê?

Porque representa Juliana Brizola, pré-candidata ao Palácio Piratini, nome que pode ser abraçado pelos petistas em articulação já iniciada pelo presidente Lula no plano nacional. A aliança PT–PDT é realidade em Brasília e pode se reproduzir no Rio Grande do Sul.

É a única variável capaz de provocar revisão na decisão formal do diretório petista, que já definiu lançar candidatura própria.

Hoje, o nome mais forte no PT é o do vereador Léo da Costa, com petistas ainda tentando recompor a unidade partidária com o lançamento de uma chapa pura ao lado de Gustavo Almansa.

David Almansa, candidato nas duas últimas eleições, teria se retirado da disputa.

O medo do ‘efeito MarxDonalds’

O ex-prefeito José Stédile (PSB) tenta articular candidatura, mas busca unidade. Seu nome, porém, enfrenta resistências dentro do PT.

Há temor de que uma frente ampla que inclua conservadores e até bolsonaristas repita o trauma recente.

O receio interno é reviver a experiência da coligação de 2024 — a chapa que chamei de ‘MarxDonalds’ — união forçada entre campos ideológicos que se repeliam nas bases, o lulista Almansa e bolsonarista Dr. Rubinho (PSDB).

Sueme, neste contexto, seria a alternativa menos indigesta.

Sueme também é citada como possível vice de Stédile — ou cabeça de chapa em uma grande aliança.

Outro nome já revelado pelo Seguinte:, Claudine Silveira (PP), segue no radar.

E há ainda o vereador Cleo do Onze (MDB), fiel a Cristian e contrário ao impeachment, que pode ser candidato próprio ou vice em diferentes composições.

O problema: o MDB está dividido. Dos cinco vereadores, quatro votaram pela cassação.

Se Cristian deixar o MDB e migrar para o União Brasil, como revelei dias atrás, enfraquece o grupo que deseja candidatura própria de oposição. E fortalece o MDB que já integra o governo interino e pode apoiar Jussara Caçapava (Avante).

O presidente estadual do UB, deputado federal Luiz Carlos Busato, já enviou documento pedindo esclarecimentos à direção municipal sobre o apoio do partido a Jussara — o que levanta suspeita de intervenção e abre caminho para eventual filiação de Cristian e da esposa, Fabi Medeiros, que concorreria a deputada estadual em outubro.

A kryptonita

Mas há um movimento de bloqueio político que pode inviabilizar uma unidade da oposição em torno de Sueme.

Ela é primeira suplente do PDT. O vereador Paulinho da Farmácia pode se licenciar do mandato para coordenar a campanha de Jussara e preparar uma candidatura a deputado federal.

Se isso acontecer, Sueme assume cadeira na Câmara.

E, uma vez vereadora em exercício, a dinâmica eleitoral muda. Pode ganhar visibilidade — ou ficar politicamente amarrada.

Paulinho segura, neste momento, a kryptonita.

Ao fim, às vésperas do fim do prazo das convenções — domingo —, há apenas uma chapa confirmada: Jussara Caçapava como candidata à reeleição, com Mano do Parque (PL) de vice.

O governo trabalha com a vantagem da máquina, da visibilidade e da divisão adversária.

Pesquisas estão sendo feitas pela oposição para balizar a decisão. As reuniões são diárias. Todos conversam com todos.

Hoje, porém, o fato político é outro.

O nome novo no jogo é Sueme.

Se vai resistir às pesquisas, às indefinições da oposição e à kryptonita, saberemos até domingo.


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