Cuidar, neste caso, vai além do tratamento. Em Canoas, a proposta é ampliar o olhar sobre o envelhecimento e a doença, incorporando acolhimento, convivência e qualidade de vida ao cotidiano de idosos em tratamento contra o câncer.
Foi com essa perspectiva que a Liga de Combate ao Câncer de Canoas lançou, na quarta-feira (18), o Projeto Tempo de Cuidar. A iniciativa nasce com foco no atendimento a idosos em diferentes estágios da doença, oferecendo uma abordagem que combina saúde física, apoio emocional e integração social.
Com recursos de R$ 116.133,11 do Fundo Municipal da Pessoa Idosa, o projeto conta com apoio da Diretoria do Idoso da Prefeitura e parcerias com o Instituto Vivo e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Ao todo, 20 idosos serão atendidos em uma programação contínua de oficinas práticas. A proposta inclui atividades físicas, orientação nutricional e ações de artesanato — todas pensadas para estimular autonomia, bem-estar e socialização.
A ideia central é simples, mas transformadora: tratar não apenas a doença, mas a pessoa.
Segundo a presidente da Liga, Iracema Gabardo, o projeto amplia o alcance do cuidado oferecido pela entidade. “O projeto amplia o cuidado com os idosos, oferecendo atividades que contribuem para o bem-estar físico e emocional durante o tratamento”, afirmou.
O simbolismo do “Relógio de Chá”
Entre as atividades previstas, uma chama atenção pelo simbolismo e pela proposta educativa: a construção de um Relógio de Chá.
Trata-se de um canteiro circular dividido em 12 partes, onde serão cultivadas diferentes espécies de plantas medicinais utilizadas no preparo de chás. A estrutura funciona tanto como espaço terapêutico quanto como ferramenta de aprendizado.
A iniciativa conecta saberes populares e conhecimento técnico, reforçando práticas de autocuidado e promovendo o contato com a natureza como parte do processo de recuperação e bem-estar.
Para a chefe de unidade da Diretoria do Idoso, Camila Ferreira, o impacto do projeto vai além das atividades em si. “Trabalhar com um grupo de 20 pessoas, por meio do Fundo Municipal da Pessoa Idosa, permite levar conhecimento sobre o uso dos chás, além de incentivar o envelhecimento ativo e saudável”, destacou.
A proposta dialoga com um conceito cada vez mais presente nas políticas públicas: o envelhecimento ativo, que busca garantir qualidade de vida, autonomia e participação social mesmo diante de condições de saúde adversas.
A participação da UFRGS, por meio do curso de Agronomia e do projeto de extensão em horticultura urbana, reforça o caráter colaborativo da iniciativa.
De acordo com a professora Tatiana da Silva Duarte, a parceria permite aproximar o conhecimento acadêmico da realidade da comunidade. “A proposta é compartilhar o conhecimento sobre plantas medicinais e aproximar a comunidade das práticas desenvolvidas no ambiente acadêmico”, explicou.
Entre oficinas, conversas e plantas cultivadas, Canoas aposta em uma ideia que, embora simples, carrega potência: cuidar também é criar tempo, espaço e sentido para viver melhor, mesmo diante da doença.






