CULTURA

Cultura de rua resiste: RAPnaVZ celebra união do hip hop em Gravataí

A cultura hip hop voltou a ocupar espaço de destaque em Gravataí no domingo com a realização de mais uma edição do RAPnaVZ. O evento, que celebrou 12 anos de trajetória, precisou mudar de local por conta da previsão de chuva, mas manteve a mobilização de artistas e público.

Tradicionalmente realizado na Praça da Várzea, no Centro, o encontro desta vez ocorreu na Associação Cultural Seis de Maio, no bairro Oriçó. O espaço, conhecido como Clube Negro, carrega simbolismo histórico e cultural, especialmente por celebrar 70 anos em 2026, tornando-se um cenário ainda mais representativo para o evento.

Mesmo com o tempo instável, o público compareceu e lotou o espaço, reforçando a relevância do movimento na cidade. O RAPnaVZ é idealizado por Bruno Cruz, que está à frente do projeto desde o início, ao lado do primo-irmão Felipe Cruz.

Segundo Bruno, a trajetória do evento é marcada pela construção coletiva e independente.

“Ao longo desses 12 anos de projetos, sempre buscamos apoio junto a outros coletivos independentes, seja na área de som, na conquista de espaços públicos ou na montagem de estrutura. Diante dessa realidade, seguimos cada vez mais independentes”, afirmou.

Ele também destacou que a falta de apoio institucional não enfraqueceu o movimento: “Longe de enfraquecer, nossa força só cresce: a cada evento, o reconhecimento das ruas se intensifica, mostrando que a verdadeira cultura pulsa onde há resistência e união.”

A programação contou com apresentações de nomes da cena local, como MC Mauricio 051, Asafe MC, Castilhos, K-Dão, Muka QR, Ideologia RS, DKG, Função Atual e PTK, além da participação do grupo de dança Footwork Machine Crew.

A condução do evento ficou por conta da produtora e mestre de cerimônia Monna, enquanto o encerramento teve sets dos DJs Akuma e Gordex.

Reconhecimento e ação social

O RAPnaVZ acumula reconhecimento recente, tendo conquistado o primeiro lugar no Prêmio Cultura Viva 2024 e o título de Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.

Além da música, o evento também teve caráter social. Durante a programação, foram arrecadados alimentos não perecíveis que serão destinados a uma iniciativa solidária em Viamão, voltada ao atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade.

Também houve espaço para expositores locais, fortalecendo a economia criativa e ampliando a visibilidade de artistas independentes.

Realizado das 15h às 20h, o RAPnaVZ reafirmou sua proposta de valorização da cultura de rua, promovendo a arte como ferramenta de expressão, identidade e transformação social em Gravataí.

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