A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a Operação Risco Zero para desarticular um grupo investigado por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro com atuação em Cachoeirinha e na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão.
Ao todo, foram cumpridas 28 medidas cautelares, incluindo mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo bancário e fiscal, bloqueio de contas, suspensão de atividade de empresa, sequestro de veículos e medidas protetivas às vítimas. As ações ocorreram em Cachoeirinha, Caxias do Sul e também em São Paulo.
Durante a operação, os policiais apreenderam dois veículos com indícios de ocultação de patrimônio, bebidas de origem estrangeira e documentos considerados relevantes para o avanço das investigações.
Segundo o delegado Alexandre Luiz Fleck, responsável pelo caso, a investigação começou em 2025 e aponta que o grupo era liderado por uma empresária de Cachoeirinha. O prejuízo às vítimas já identificadas chega a cerca de R$ 3,5 milhões.
De acordo com a Polícia Civil, o principal golpe envolvia a promessa de lucros com investimentos em “day trade”. As vítimas eram convencidas a aplicar dinheiro com a garantia de retorno mensal superior a 7% — valor muito acima do praticado no mercado.
Inicialmente, os pagamentos eram feitos regularmente por mais de um ano, o que aumentava a confiança dos investidores e atraía novos aportes. Com o tempo, no entanto, os repasses cessaram, e os investigados passaram a apresentar justificativas falsas para não devolver os valores.
A investigação também identificou outras duas modalidades de fraude. Em uma delas, os suspeitos ofereciam investimentos na compra de cargas de hortifrúti, prometendo alto lucro por operação. Após alguns retornos iniciais, os pagamentos deixavam de ser realizados. Em alguns casos, notas fiscais falsas teriam sido emitidas para dar aparência de legalidade aos negócios.
Outra frente do esquema envolvia a venda de supostos lotes em um empreendimento imobiliário na cidade de Torres. No entanto, conforme apurado pela polícia, não há qualquer projeto desse tipo no local, nem vínculo dos investigados com a área.
“Atuação teatral” para enganar vítimas
Ainda conforme o delegado Fleck, o grupo atuava de forma organizada e sofisticada, utilizando encenações para conquistar a confiança das vítimas.
“Todo o processo era cuidadosamente conduzido, com verdadeiras atuações teatrais entre os criminosos para conquistar a confiança das vítimas e, através delas, cooptar novos alvos”, afirmou.
A suspeita é de que os valores obtidos com os golpes eram utilizados para financiar atividades ilícitas de alta rentabilidade, além de sustentar o pagamento inicial aos investidores — prática típica de esquemas fraudulentos.
A Polícia Civil não descarta a identificação de novas vítimas e a ampliação do prejuízo total causado pelo grupo. A análise do material apreendido deve aprofundar a apuração sobre a estrutura da organização e o destino do dinheiro.






