A posse de Paulo César Agliardi, o Tete — filho da prefeita interina Jussara Caçapava — na presidência estadual do Avante no Rio Grande do Sul guarda efeitos imediatos na Região Metropolitana, especialmente em Cachoeirinha e Gravataí.
A força de Cachoeirinha dentro do Avante não é novidade.
Tete assume o partido com tamanho político construído nos bastidores: foi um dos articuladores do impeachment do ex-prefeito Cristian Wasem e do vice Delegado João Paulo, e hoje influencia diretamente o governo e a estratégia eleitoral de Jussara para a eleição suplementar de domingo, ao lado do irmão, Ildo Jr, secretário de Educação.
Cachoeirinha se mantém como uma das principais bases administrativas do partido no país — e passa a irradiar poder para além de suas fronteiras.
A presença de Natália Fonseca Soares de Oliveira — esposa do vereador de Gravataí Cláudio Ávila, também assessor especial de Jussara na Prefeitura — e do ex-vereador Jô da Farmácia, como vice-presidente, demonstra que o grupo de Ávila está dentro — e com protagonismo.
Hoje, Ávila e o vereador licenciado Fernando Deadpool ainda estão no União Brasil. Mas negociam com o presidente estadual Luiz Carlos Busato uma carta de liberação para migrar ao Avante sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária.
A janela legal para troca partidária só abre em março de 2028.
No plano local, o partido também se estrutura. A presidência municipal fica com Fábio Pereira, atual diretor-presidente do ISSEG e indicação de Ávila no governo do prefeito Luiz Zaffalon (PSD).
Em entrevista ao Seguinte:, em março, Ávila fez o que poucos fazem quando estão dentro de um governo: defendeu — e se descolou.
Apoiou a gestão Zaffa, da qual o Avante participa, mas deixou aberta a possibilidade de candidatura própria à Prefeitura em 2028.
E foi além. Ao ser questionado sobre uma eventual reaproximação com Daniel Bordignon, com quem venceu de Marco Alba (MDB) a eleição de 2016 como vice, respondeu: “quem sabe não repetimos a chapa”.
Os dois não assumiram pelos direitos políticos do ex-prefeito terem sido suspensos.
É sinal de que o Avante, em Gravataí, não quer ser apenas base. Quer ser alternativa.
Esse movimento local dialoga com a estratégia estadual. O Avante tem evitado alinhamento automático na disputa pelo Palácio Piratini. Não está com o PT de Edegar Pretto. Nem com o PL de Luciano Zucco. Conversa com o PDT de Juliana Brizola e o MDB de Gabriel Souza, que tem como ‘Grande Eleitor’ o governador Eduardo Leite (PSD).
Resta na independência como ativo político.
No plano nacional, o partido também ensaia protagonismo. O Avante lançou a pré-candidatura do escritor best-seller Augusto Cury à Presidência da República.
A sigla, que hoje integra a base do governo Luiz Inácio Lula da Silva, busca ampliar seu espaço com candidatura própria, algo que não fez em eleições anteriores, quando fez o D, de Dilma, o H, de Haddad o L, de Lula.
Há ainda um reflexo indireto — mas relevante — em Gravataí.
Para a Assembleia Legislativa, o grupo de Jussara deve apoiar a reeleição de Dimas Costa (PSD). E pode lançar candidatura à Câmara Federal.
Do REM à realidade
A nova direção do Avante não muda apenas nomes. Muda vetores. Consolida Cachoeirinha como polo de poder partidário, abre espaço para o grupo de Ávila em Gravataí, sinaliza independência nas eleições de 2026 e 2028, e coloca o partido no cenário de negociações estadual e nacional.
“Vendedor de Sonhos” é o nome de uma das obras de Cury, presidenciável do partido, que figura entre as mais vendidas no Brasil e no mundo.
O impeachment era um sonho, que Tete ajudou a realizar. A Prefeitura de Cachoeirinha pode passar do modo REM para a vida real na noite do próximo domingo.
Faltaria a Prefeitura de Gravataí, em 2028.
E Ávila — com sua notória ambição — é um sonhador contumaz.






