A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu preventivamente, na sexta-feira (17), o ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall Oglio (Republicanos), conhecido como Gringo, sob suspeita de liderar um esquema de fraude em licitações que inclui contratos no município de Gravataí. As informações são da reportagem de GZH, assinada por Carlos Rollsing.
Gringo, que apareceu para o grande público como voluntário nas enchentes de 2024, foi cassado em dezembro por ter empresa contratada pela prefeitura da Capital. Ele seria controlador de uma empresa que presta serviços para o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), o que é contra a lei.
Segundo GZH, a operação, batizada de Effluxus, investiga um “suposto esquema de ocultação de controle empresarial para fraudar licitações”, envolvendo serviços como desobstrução de redes pluviais e de esgoto, hidrojateamento e transporte de resíduos.
Ainda conforme a reportagem, além da prisão preventiva — sem prazo definido — foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, incluindo contra familiares do ex-parlamentar, e bloqueados cerca de R$ 2,5 milhões em ativos financeiros.
De acordo com a investigação citada por GZH, contratos sob suspeita teriam sido firmados entre 2024 e 2025 com órgãos públicos, incluindo prefeituras de Gravataí, Capão da Canoa, Gramado e Osório, além da Polícia Penal.
Segundo GZH, “os órgãos públicos teriam sido vítimas de um esquema que simulava concorrência em licitações”.
A reportagem aponta que duas empresas “fariam parte do mesmo grupo econômico e concorriam juntas em licitações para fraudar a competição”. A primeira venceu todas as contratações analisadas, enquanto a segunda apenas participou, com propostas mais altas.
Estrutura com ‘laranjas’ e indícios de controle
Conforme GZH, nenhuma das empresas está formalmente em nome de Gringo, mas a polícia reuniu indícios de que ele seria o controlador, utilizando terceiros como “laranjas”.
Entre os elementos citados na reportagem estão “confusão patrimonial e operacional”, uso do mesmo e-mail, reconhecimento de dívidas em conjunto e atuação compartilhada em ações trabalhistas.
A investigação também identificou que, em licitação da Polícia Penal, as duas empresas teriam utilizado a mesma estrutura tecnológica para acessar o sistema, reforçando a suspeita de simulação de concorrência.
De acordo com a Polícia Civil, citada por GZH, o caso envolve suspeitas de fraude à licitação, associação criminosa, falsidade ideológica e material, além de corrupção ativa de testemunha.
Ainda conforme GZH, uma ex-empregada afirmou em depoimento que teria recebido oferta de R$ 2 mil para “abafar o caso”.
A investigação também aponta indícios de ‘dumping social’, prática caracterizada pela redução de custos com desrespeito a direitos trabalhistas.
“Esquemas dessa natureza geram graves distorções no mercado e impactam diretamente os trabalhadores”, afirmou o delegado Cassiano Cabral, diretor do Dercap, em declaração reproduzida por GZH.
A Polícia Civil também apontou, segundo GZH, que o ex-vereador manteve contrato com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), em Porto Alegre, durante o exercício do mandato, o que foi considerado indício de irregularidade e embasou o pedido de prisão.
A operação foi autorizada pela 2ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre após mais de 10 meses de investigação.
Prefeitura não foi notificada — e a defesa
Procurada pelo Seguinte:, a Prefeitura de Gravataí informou que, até o momento, não foi formalmente comunicada sobre a investigação.
O secretário municipal de Administração, Modernização e Transparência, Rodrigo Silveira da Silva, afirmou que o município ainda não recebeu ofício da polícia sobre o caso.
Em nota, a defesa de Gringo, representada pelo advogado Diego Romero, informou que ainda não teve acesso aos autos do inquérito.
“A defesa ainda não obteve acesso aos documentos referentes ao inquérito policial e demais medidas cautelares. Logo que for franqueado acesso, vamos conhecer o conteúdo e formalizar manifestação técnica”, diz o posicionamento, conforme GZH.






