ESPORTE

Copa de Jiu-Jitsu reúne 3 mil pessoas e revela talentos em Cachoeirinha

O Ginásio do Sesi, na Vila da Paz, foi tomado por quimonos, aplausos e gritos de incentivo no domingo (19). A 1ª Copa Cachoeirinha de Jiu-Jitsu reuniu mais de 700 atletas inscritos e cerca de 3 mil pessoas entre competidores e público, em um evento que marcou a estreia da competição no município.

Organizada pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (Smcel), em parceria com a Half Guard Company, a copa nasceu com um objetivo claro: incentivar a prática da modalidade e ampliar o acesso ao esporte.

Famílias inteiras acompanharam as lutas. Pais, mães, avós e irmãos lotaram as arquibancadas para apoiar os atletas — muitos deles iniciantes — em cada combate.

“Vimos alguns alunos atletas vendendo paçoca no semáforo buscando recursos para competir e encontramos, na Prefeitura, uma forma de reunir esses atletas e criar a competição”, explicou o diretor de Esportes da Smcel, Rafael Ramires.

Um dos diferenciais do evento foi a gratuidade para os participantes. Segundo a organização, a medida buscou incluir atletas de projetos sociais e reduzir uma das principais barreiras do esporte: o custo.

“É uma forma de englobar os projetos sociais da cidade. Existem competições importantes pelo Estado, mas o custo é muito alto das inscrições”, afirmou Daniel Pereira Smania, da Half Guard Company.

A intenção, segundo os organizadores, é transformar a copa em um evento recorrente.

Histórias no tatame

Entre as lutas, histórias pessoais deram o tom da competição.

Campeão mundial em sua categoria em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em 2025, o jovem Bernardo Falcão, de 14 anos, voltou a competir após uma lesão nos ligamentos — e saiu vitorioso.

“Minha experiência foi muito boa, após quatro dias de treino e conseguir vencer de novo”, comemorou, com medalha no peito.

Para outros, o evento foi o primeiro contato com o ambiente competitivo. É o caso de Isabella Gonçalves, que estreou no tatame. Segundo a mãe, Taís, o jiu-jitsu tem papel importante no desenvolvimento da filha, que está no espectro autista.

“O jiu-jitsu tem ajudado muito em questões sensoriais, como amarrar o cabelo e textura de roupas”, relatou.

Diante da adesão do público e dos atletas, a Prefeitura já projeta os próximos movimentos: incluir a competição no calendário oficial da cidade.

“A comunidade comprou a ideia, é uma comunidade que estava esquecida no nosso município. O pessoal compareceu em peso, foi um espetáculo”, avaliou o secretário da Smcel, Éverton Cunha.

Segundo ele, a proposta é ampliar o apoio ao esporte em diferentes modalidades e dar visibilidade a atletas locais — inclusive aqueles com títulos internacionais.

“Temos campeões mundiais aqui em Cachoeirinha que não eram vistos, não eram ajudados pelo município e agora passam a ter uma visibilidade maior”, afirmou.

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