Após uma semana marcada por tensão entre prefeitura e concessionária, a Corsan, sob gestão da Aegea Saneamento, apresentou ao Seguinte: um balanço de investimentos realizados em Cachoeirinha desde a assunção da operação, em julho de 2023.
Segundo a companhia, já foram aplicados cerca de R$ 28 milhões no município — sendo R$ 12 milhões no sistema de abastecimento de água e outros R$ 16 milhões em obras de expansão da coleta e tratamento de esgoto.
Os dados chegam poucos dias depois da reunião que reposicionou a relação entre o município e a concessionária, marcada por cobranças, ameaça de multa milionária e risco de abertura de CPI, conforme mostrou reportagem anterior do Seguinte:; leia em Entre o ultimato e o diálogo: o que fica da reunião que reposiciona Cachoeirinha diante da Corsan/Aegea.
De acordo com a Corsan, os investimentos no abastecimento fazem parte de um plano de modernização executado entre 2024 e 2026, com foco em toda a cadeia do sistema — da captação à distribuição.
A água que abastece Cachoeirinha é captada no Arroio das Garças, em Canoas. Por isso, parte dos recursos foi destinada à modernização da Elevatória de Água Bruta (EAB), que passou por troca de equipamentos e instalação de geradores para garantir funcionamento mesmo em quedas de energia.
A dependência do sistema elétrico, aliás, foi um dos pontos citados pela empresa na reunião com a prefeitura como fator que impactou o abastecimento durante o feriadão recente.
Outro eixo de investimento foi a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Cachoeirinha, que teve sua capacidade elevada de 950 litros por segundo para 1.100 litros por segundo.
Entre as intervenções, estão a construção de uma nova adutora de cerca de 800 metros e a modernização do sistema de filtração, com substituição e automação de válvulas e troca de materiais filtrantes.
A medida busca enfrentar um problema recorrente no município: a queda de pressão e falta de água em períodos de maior consumo, especialmente em dias de calor intenso.
Redes, pressão e zonas críticas
Os investimentos também contemplaram a rede de distribuição e pontos considerados críticos da cidade.
No Distrito Industrial, foram aplicados mais de R$ 1,5 milhão em novas redes e substituição de adutoras. Já em regiões com histórico de baixa pressão, como áreas mais elevadas, foram instalados boosters (equipamentos de bombeamento) e novas elevatórias.
Entre os destaques estão reforços na Zona Norte, a implantação de elevatória na Vista Alegre e melhorias no atendimento ao Parque Espírito Santo, além da revitalização de reservatórios municipais.
Essas ações dialogam diretamente com as queixas recentes da população e com a força-tarefa anunciada pela empresa após a reunião com a prefeitura, que inclui varredura por vazamentos e intervenções emergenciais.
Além do abastecimento, a Corsan informou investimentos superiores a R$ 16 milhões no sistema de esgotamento sanitário.
A ampliação da rede, segundo a empresa, busca aumentar a cobertura, melhorar as condições de saúde pública e reduzir impactos ambientais.
Na reunião com o município, a concessionária já havia indicado que Cachoeirinha se aproxima de 80% de cobertura de esgoto, com meta de atingir 90% antes de 2033, prazo definido pelo contrato de concessão e pelo marco legal do saneamento.
Ao fim, o balanço apresentado pela Corsan reforça a narrativa de investimento e modernização da infraestrutura. Mas chega em um momento em que o debate público foi deslocado para outro ponto: a entrega do serviço.
Como mostrado na reportagem “Entre o ultimato e o diálogo”, a prefeitura adotou uma estratégia de pressão que incluiu multa de R$ 2 milhões, ameaça de nova penalidade de R$ 5 milhões e articulação política para uma possível CPI.
O resultado foi a abertura de diálogo em alto nível — e agora, a apresentação de números. O desafio, porém, permanece o mesmo. Porque, em saneamento, investimento é meio.
O fim continua sendo o que sai da torneira.






