A vereadora de Gravataí Anna Beatriz da Silva (PSD) será suplente na candidatura de Frederico Antunes (PP) ao Senado pela coligação que reúne Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD) na disputa pelo Palácio Piratini, tendo Germano Rigotto (MDB) como outro nome ao Senado e o governador Eduardo Leite (PSD) como o ‘Grande Eleitor’.
“Aceitei o desafio. É protagonismo para as mulheres e para Gravataí, que se consolida no centro do debate político do RS”, confirmou Anna ao Seguinte: na tarde desta sexta-feira.
Frederico Antunes reforçou o tom ao celebrar uma composição 100% feminina nas suplências, já que a outra vaga será ocupada pela ex-vice-prefeita de Caxias do Sul, Paula Ioris:
“Com orgulho terei uma chapa majoritariamente feminina. Duas mulheres com currículo e referência em suas regiões”, disse ao Seguinte:.
A escolha, contudo, tem camadas que exigem leitura atenta da política da Aldeia. Anna não cai de paraquedas na majoritária: traz a densidade de um currículo de base e o peso de um grupo político articulado na conexão Gravataí-Palácio Piratini.
Para quem observa o movimento a partir de Porto Alegre, Anna Beatriz traz a bagagem do Serviço Social, a formação na Ulbra e a origem no bairro São Geraldo, às margens da ERS-118 — a artéria econômica e populacional da cidade. Filha da Roséli Santos e mãe do Lorenzo, de 10 anos, Anna construiu sua reputação na política de base muito antes de ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores.
Atuou como voluntária na histórica Cofameg e construiu uma trajetória de liderança popular que a transformou na conselheira tutelar mais votada do Rio Grande do Sul, exercendo o mandato por oito anos até sua primeira eleição ao Legislativo municipal, em 2020, pelo PSD, sendo reeleita em 2024.
No parlamento, destacou-se por pautas de inclusão, defesa das mulheres e saúde pública. É de sua autoria a articulação que garantiu a construção do Posto de Coleta de Sangue Amanda de Souza Schussler — o primeiro do município —, além da implementação da Procuradoria Especial da Mulher, do projeto Maria da Penha vai à Escola, do Fórum Municipal do Empreendedorismo Feminino e da Lei Vini Jr, de combate ao racismo nos esportes. Pautas de saúde mental materna (Maio Furta-Cor) e apoio à inclusão escolar e entidades como a APAE completam um portfólio de mandato focado em entregas.
Mas, na Realpolitik, o currículo dialoga diretamente com as guerras eternas da política local. Anna Beatriz é esposa do ex-deputado estadual Dimas Costa (PSD) — a quem chamo de o ‘embaixador’ de Leite na cidade pela intimidade e acesso direto ao governador — e integra a base governista do prefeito Luiz Zaffalon (PSD).
Pertence, ainda, à órbita política do secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Davi Severgnini, ex-secretário da Fazenda de Gravataí, que já chamei de ‘Zaffa do Zaffa’, e é o preferido de Dimas para a sucessão em 2028.
Fato é que a indicação de Anna serve como mais um espaço ocupado por esse grupo no permanente ‘estreitamento de inimizades’ que caracteriza a chapa governista na disputa pelo Piratini.
A indicação une o grupo de Zaffa, Dimas, Davi e agora Anna na sustentação do mesmo palanque estadual em que orbitam seus maiores adversários locais: o ex-prefeito Marco Alba (MDB), candidato a deputado estadual, e sua esposa, a deputada federal Patrícia Alba (MDB).
É daqueles que chamo ‘Dos Grandes Lances dos Piores Momentos’. Afinal, há, na prática, uma ‘ordem restritiva de aproximação política’ entre eles. É o clássico ‘GreNal da Aldeia’: todos prometem votar e trabalhar por Gabriel Souza e pela nominata, mas ninguém precisa — nem aceita — sair na mesma foto ou subir no mesmo palanque sem um cordão de isolamento imaginário.
Ao fim, à parte daquela que chamo de III Guerra Política de Gravataí — deflagrada a partir do rompimento entre Zaffa e Alba e a subsequente aproximação de Dimas com o prefeito —, Anna Beatriz garante seu espaço na vitrine principal do Estado em 2026. Uma mulher na majoritária. E isto é importante.






