Com o lema “Nosso futuro se faz agora”, o vereador de Cachoeirinha, historiador e ambientalista Léo da Costa (PT) oficializou na noite da quinta-feira (17) sua pré-candidatura a deputado estadual. O encontro, realizado no Pátio 115 em sua cidade natal, reuniu mais de 250 pessoas — um público diversificado com forte presença jovem e comitiva de lideranças de peso da frente ampla e do PT gaúcho, como as deputadas federais Maria do Rosário e Daiana Santos, a deputada estadual Laura Sito, o ex-candidato a vice-governador Edegar Pretto e Cícero Balestro, secretário-geral do PT-RS.
A movimentação de Léo da Costa carrega um significado simbólico na geopolítica da Região Metropolitana: ele avança sobre uma área desmatada politicamente.
Léo é um fenômeno regional nas redes sociais. Consegue acumular milhares de interações a cada postagem abordando um tema que costuma dividir opiniões em um país polarizado e frequentemente rotulado por críticos de “ecochato”: a crise climática. Do Mato do Júlio — a crucial floresta urbana no coração de Cachoeirinha que atua como uma verdadeira “esponja” contra enchentes — até as principais denúncias ambientais na Grande Porto Alegre e Litoral, Léo transformou o ativismo de base em capital político real. Nas urnas de 2024, emergiu como o vereador mais votado do município, somando 3.117 votos em sua estreia eleitoral aos 26 anos.
Mas a física política não aceita vácuo. Para entender a dimensão da candidatura de Léo em 2026, é preciso olhar para as cicatrizes recentes do PT local.
Como já analisei anteriormente, a disputa interna entre Léo da Costa e David Almansa — outra (já não tão) jovem liderança que hoje ocupa diretoria na Secretaria de Comunicação do governo Lula e disputou a prefeitura nas últimas eleições — viveu seu momento mais crítico no impeachment do ex-prefeito Cristian Wasem (União Brasil).
Almansa se posicionava contra o processo, classificando-o como golpe e comparando o rito às ‘pedaladas’ de Dilma. Léo, por sua vez, recorreu à Executiva Estadual do PT para garantir o direito de votar favoravelmente à cassação. O resultado foi o desastrado episódio em que a direção estadual atropelou o diretório municipal, instalando uma crise de proporções históricas no partido — que traduzi como “deu PT”, de Perda Total.
Na sequência, veio a eleição suplementar vencida por Jussara Caçapava (Avante). Naquele pleito, nenhum dos ‘guris’ quis ir ao sacrifício. Nem Almansa, nem Léo aceitaram encabeçar uma chapa pura contra a máquina municipal. Ao invés de aceitarem a estátua do militante petista sacrificado no altar eleitoral, ambos parecem ter aderido ao pensamento do censor romano Catão, o Velho, de dois mil anos atrás: “Prefiro que perguntem por que não tenho uma estátua do que por que a tenho”. A bomba sobrou para Tairone Keppler, em uma candidatura-raiz que evitou a extinção da legenda, mas que escancarou a falta de unidade da oposição.
Almansa, que saiu maior do que entrou na eleição majoritária de 2024 ao consolidar cerca de 30% do eleitorado mesmo enfrentando a maré antipetista e a ‘marçalização’ das periferias, optou pela preservação. Decidiu ir a Brasília, trabalhar ao lado de Paulo Pimenta e ‘branquear os cabelos’ antes de disputar novos pleitos.
Nesse espaço vago, Léo da Costa constrói sua ponte entre os movimentos sociais e o ecossistema eleitoral do Estado. O empenho na pauta ambiental pós-catástrofe climática de maio de 2024 dá tração à sua caminhada. Se antes o discurso ecológico parecia acessório, hoje o eleitor entende — até por sobrevivência — que preservar a vegetação de banhado e a calha dos rios é a diferença entre manter a água fora ou dentro de casa.
Ao fim, são os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos: o desempenho de Léo da Costa na eleição de 2026 certamente antecipa o cenário para 2028. Ele ou Almansa serão a principal estrela do Partido dos Trabalhadores na disputa pela Prefeitura de Cachoeirinha. Juntos? Dificilmente. Hoje os dois preferem dividir a fila, como se isso encurtasse a distância dela até o poder em Cachoeirinha.
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