Um líder religioso da região e a esposa dele serão julgados pelo Tribunal do Júri pelas mortes de uma jovem de 18 anos, do filho dela, um bebê de dois meses, e de um adolescente de 16 anos. A Justiça pronunciou os dois réus na quarta-feira (2).
A decisão atende a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Os acusados estão presos preventivamente, e a data do julgamento ainda não foi definida.
Segundo a acusação, o casal teria cometido os crimes para ocultar a paternidade do bebê e evitar que uma relação extraconjugal do religioso prejudicasse a imagem dos dois como referência na comunidade religiosa.
Um exame de DNA apontou que o religioso era o pai biológico da criança.
De acordo com o promotor de Justiça Rodrigo Mendonça, além da jovem e do bebê, o casal matou o adolescente de 16 anos porque acreditava que ele tinha conhecimento sobre a relação entre o religioso e a jovem e poderia revelar os fatos.
Conforme a denúncia do MPRS, as vítimas foram atraídas para uma área isolada de Esteio sob o pretexto de participar de uma cerimônia religiosa.
A acusação sustenta que a jovem e o adolescente foram mortos com golpes de faca. O bebê morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
Depois dos assassinatos, segundo o Ministério Público, os corpos foram ocultados em uma área de mata às margens do Rio dos Sinos.
Os crimes aconteceram em julho de 2025.
Ainda segundo a denúncia, o adolescente teria sido assassinado para assegurar a ocultação e a impunidade dos crimes cometidos contra a jovem.
O MPRS afirma que os acusados acreditavam que o adolescente sabia que o religioso havia se aproveitado de sua condição de líder religioso para enganar a jovem.
Segundo a acusação, o religioso teria alegado que as relações sexuais mantidas com a vítima ocorriam dentro de um contexto religioso.
Por esse motivo, além das acusações relacionadas às mortes, o homem também responderá por violação sexual mediante fraude.
Quais crimes são atribuídos ao casal
O casal responderá no Tribunal do Júri por feminicídio quintuplamente majorado e dois homicídios quadruplamente qualificados, além de outros crimes apontados na denúncia.
Também são atribuídos aos dois réus crimes de ocultação de cadáver, corrupção de menores e outros delitos conexos.
O religioso ainda responderá especificamente pela acusação de violação sexual mediante fraude.
As qualificadoras e causas de aumento descritas na denúncia serão analisadas pelo Tribunal do Júri.
A decisão que pronunciou os acusados permite que eles sejam submetidos ao julgamento pelo Tribunal do Júri. A pronúncia, porém, não significa condenação: caberá aos jurados analisar as acusações e decidir pela responsabilidade ou não dos réus pelos crimes imputados.
Os dois permanecem presos preventivamente.
A data da sessão do Tribunal do Júri ainda será definida pela Justiça.






