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Agente financeiro do banco do pó era de Cachoeirinha

Grupo movimentou mais de um bilhão em três anos | DIVULGAÇÃO

A Polícia Federal acredita ter chegado, com a Operação Planum, desencadeada nesta quinta (29), ao coração financeiro do maior esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas no Rio Grande do Sul descoberto até hoje. E, no centro das operações gaúchas, que têm conexão e administração central em São Paulo, está um agente financeiro de Cachoeirinha. Ele foi uma das três pessoas presas nesta manhã na cidade e não teve o nome divulgado pela PF.

De acordo com o delegado Roger Soares Cardoso, responsável pela investigação, este agente, além de investir no que a polícia classificou como um “banco paralelo” criado por doleiros para limpar o dinheiro do tráfico de drogas, também controlava o fluxo dos valores enviados ou recebidos no Rio Grande do Sul para o esquema que movimentou em quase três anos, R$ 1,4 bilhão.

— Esta quadrilha que recebia cocaína da Bolívia, camuflava em blocos de granito e outras formas e enviava à Europa pelos portos catarinenses era uma das clientes deste banco ilegal que descobrimos, justamente a partir da investigação de tráfico — aponta o delegado.

Segundo ele, havia inclusive investimento de chineses no esquema.

 

Contas fantasma

 

O banco do pó consistia na abertura de diversas contas de pessoas jurídicas de fachada em instituições bancárias reais. A partir destas contas, eram feitos pagamentos, depósitos e, principalmente, remessas e recebimentos ilegais de recursos no Exterior.

— O funcionamento era exatamente como o de um banco. O interessado procurava os agentes financeiros, em geral doleiros, e dizia que precisava de um serviço para circular o dinheiro oriundo da atividade criminosa. Prontamente, as contas de pessoas jurídicas em instituições reais eram movimentadas entre si, fazendo parecer que era uma operação financeira regular — explica Cardoso.

 

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Entre as movimentações flagradas ao longo da investigação, a polícia encontrou dois depósitos feitos em Madri para o grupo criminoso gaúcho. Era o “banco do pó” que intermediava a ação. Ou, na fachada, eram transações entre empresas disfarçando os pagamentos por carregamentos de cocaína.

A PF acredita que foram criadas entre 50 e 70 pessoas jurídicas falsas para que tivessem contas bancárias. Ao todo, 121 contas jurídicas e 57 de pessoas físicas foram bloqueadas na Operação Planum. E a estimativa é de que ainda se chegue a até 500 contas. Foram sequestrados ainda 15 imóveis, 81 veículos entre carros e caminhões, oito aeronaves e seis lanchas. Em um dos mandados cumpridos nesta manhã, os agentes chegaram a uma lavagem de roupas em São Paulo. Lá, havia dólar escondido até mesmo dentro das máquinas de lavar.

A movimentação financeira complexa era o passo seguinte após o desenvolvimento de uma técnica para disfarçar os carregamentos de cocaína que partiam da região litorânea e metropolitana gaúchas até os portos de Santa Catarina. Além da operação financeira, segundo a PF, havia “laranjas” por aqui encarregados de criar empresas e alugar depósitos onde os blocos de granito eram recheados com a droga vinda da Bolívia. Segundo a investigação, nada do que era transportado pela quadrilha ficava no Brasil.

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