Futebol se decide no meio-campo! A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 escancarou o tamanho da nossa mazela no setor. Muito por erro de avaliação e planejamento de Carlo Ancelotti.
É preciso robustecer a meia-cancha, negar espaços ao adversário, povoar a intermediária. É por isso que traçamos um paralelo com o início das Copas de 94 e de 2002.
É óbvio que não dispomos da mesma qualidade individual que culminou no Tetra e no Penta, mas as duas seleções vencedoras passaram por um processo de reciclagem em meio à competição justamente para equilibrar os times.
Louvados sejam os “Patinhos Feios”. Jogadores que atuam no país, sem o grande cartaz dos que jogam na Europa, mas que podem encaixar na mecânica coletiva. Jogador do Botafogo, Danilo Santos é a “bola da vez”, tal qual foram Mazinho, em 1994, e Kleberson, em 2002.
O primeiro jogo em uma Copa do Mundo quase sempre é complicado, sobretudo pelo fator mental. A estreia brasileira em 2026, entretanto, teve outra grandiosa pedra no sapato: a qualidade do adversário.
A seleção de Marrocos foi semifinalista na última Copa do Mundo e tem valores individuais de notoriedade. Aliás, o goleiro, o lateral-direito, o primeiro volante e o camisa 10 seriam titulares da nossa seleção. Não estamos passando pano para a péssima atuação brasileira no primeiro tempo, pelo contrário. Mas não podemos ignorar as virtudes do adversário.
É claro que as escolhas nominais e táticas da comissão técnica potencializaram as qualidades do lado oposto. Paquetá aberto à direita e Igor Thiago no comando do ataque, principalmente. Outra: atuação muito insegura do gaúcho Ibañez, que acabou sendo acertadamente substituído pelo veterano Danilo.
Para a jornada contra o Haiti, no próximo “Sextou”, gostaríamos de ver Fabinho, Bruno Guimarães e Danilo Santos na meiuca. Com Raphinha à direita, compondo como quarto homem sem a bola. Em tempo: com Danilo na lateral, Raphinha e Bruno Guimarães precisam colocar o flanco direito no mapa de calor do time. À frente, Vini Jr. e Endrick.
Aliás, o astro do Real Madrid finalmente “estreou” vestindo verde e amarelo. Teve erros técnicos, ok, faz parte. Mesmo assim, as nossas três principais chances saíram da sua individualidade, incluindo o gol. A postura foi a de um protagonista. Ufa! Outra nota individual foi a atuação segura do lateral-esquerdo Douglas Santos.
Tivemos mais sorte do que juízo no primeiro tempo. Agora, precisamos consagrar o Futebol Além do Resultado que gere resultado! O sonho do Hexa, hoje remoto, passa necessariamente pela “cirurgia” no meio-campo…
Que o Tetra e o Penta sirvam de inspiração para a prancheta de Ancelotti.






