SAUL TEIXEIRA

Brasil de Ancelotti e a versatilidade como “degrau” para o Hexa

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

A julgar pela convocação de Carlo Ancelotti, a Seleção Brasileira de Futebol embarcará para a Copa do Mundo com um elenco versátil, competitivo e “pesado” sob os olhos do Planeta Bola.

Dentro das opções possíveis, o treinador demonstrou coerência em quase todas as escolhas e elencou 26 nomes que embalam o sonho do Hexa. É óbvio que não somos mais os favoritos de outrora. Mas é possível sonhar.

Nossa maior fragilidade está na linha defensiva, sobretudo nas laterais. Com a lesão de Éder Militão, que poderia atuar também como lateral-direito, o escolhido foi o gaúcho Roger Ibañez pelo mesmo motivo: a versatilidade. Wesley talvez seja a única unanimidade pelos lados, embora tenha sido convocado para a lateral-direita, mas tenha atuado a temporada inteira pela Roma como ala pela esquerda.

As presenças de Léo Pereira e Danilo, ambos do Flamengo, também ilustram o tamanho das lacunas no setor. Menos mal que temos três opções da primeira prateleira mundial: Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bremer. Aliás, poderiam jogar juntos, inclusive, mas esse é um debate para outro momento.

A maior “injustiça” da lista está na ausência de João Pedro, que, desde o Mundial de Clubes do ano passado, consolidou-se como uma das referências do Chelsea.
Eu teria convocado JP na vaga de Danilo, já que Casemiro e Fabinho podem atuar na zaga em alguma eventualidade. Mas, até nessa escolha, Ancelotti mostrou certa coerência.

Igor Thiago é camisa 9 raiz; Endrick, um centroavante de velocidade ou ponta-direita; Matheus Cunha, tal qual João Pedro, atua como ponta de lança; e Neymar foi convocado também para o posto de falso 9. João Pedro não irá, mas a seleção está bem servida em características. É possível configurar “N” mecânicas de ataque com as peças à disposição.

Ah, o meio-campo! Casemiro será o grande esteio defensivo, com Bruno Guimarães e Danilo, do Botafogo, como opções de camisa 8. Aliás, também podem jogar juntos para robustecer o time, mas isso também é assunto para um futuro breve. Lucas Paquetá é outra opção polivalente para o setor vital.

Uma pena as ausências de Rodrygo e de Estêvão, que, embora atuem mais à frente, também seriam opções para qualificar a armação do time. O ex-Vasco, Rayan, é a maior surpresa para a camisa 7, embora apostemos em Luiz Henrique como forte candidato à titularidade. O terceiro goleiro será o gremista Weverton. Acerto! Pelo grande momento que vive, pela experiência, pela péssima fase de Bento e por precaução, já que Alisson e Ederson estão voltando de lesões.

Romário ficou fora em 2002, Ronaldinho Gaúcho em 2010 e Kaká em 2014. Neste ano, porém, a voz do povo foi ouvida! A presença de Neymar cumpre objetivos além das quatro linhas: garante visibilidade e “peso” ao elenco, amplia o engajamento popular em torno da seleção e serve também como escudo para o grupo.

Mais do que isso! A presença do menino Ney (para a loucura dos haters do camisa 10) também embala o pensamento mágico, a aposta no imponderável, o exercício da crença e da fé rumo à sexta estrela. Dentro de campo, o maior artilheiro da história da Seleção, embora não seja nem sombra do que já foi, ainda é a nossa figurinha mais diferenciada no álbum chamado sonho do Hexa.

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