Cachoeirinha atingiu 87,5% de cobertura de esgotamento sanitário e poderá superar, já em 2027, a meta de 90% de atendimento estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento para 2033, conforme balanço divulgado nesta terça-feira (15) pela Aegea/Corsan. O avanço ocorre com a implantação de novas redes coletoras e obras que estão em andamento no município.
Recentemente, a Corsan implantou redes coletoras na Travessa Aracy e na Rua Dona Otília. Segundo a companhia, outras intervenções atualmente em execução devem ampliar ainda mais a cobertura e permitir que Cachoeirinha ultrapasse o percentual previsto pela legislação para os próximos anos.
O índice coloca o município entre as cidades atendidas pela Corsan que estão mais próximas da universalização do serviço de coleta e tratamento de esgoto.
A expansão da rede ocorre ao mesmo tempo em que são realizadas ações de manutenção da infraestrutura que já existe.
Em parceria com a Prefeitura de Cachoeirinha, a Corsan mantém uma força-tarefa para executar serviços de desobstrução e manutenção das redes de esgotamento sanitário e de drenagem pluvial na Avenida Flores da Cunha e em seu entorno.
Com aproximadamente 4,5 quilômetros de extensão, a avenida atravessa 14 bairros e integra a rotina de milhares de moradores da Região Metropolitana.
De acordo com Renata Rohde, gerente de Relações Institucionais da Corsan, a atuação conjunta com o município permite direcionar as equipes para os locais considerados prioritários.
“A parceria com o município nos permite reunir o conhecimento técnico das nossas equipes com a percepção de quem acompanha diariamente as necessidades da cidade. A partir das prioridades identificadas em conjunto, direcionamos equipes e organizamos as ações para os pontos que mais precisam de atendimento”, explica.
Além de ampliar a rede, a manutenção preventiva é considerada fundamental para o funcionamento adequado do sistema.
A limpeza e a desobstrução ajudam a reduzir ocorrências como entupimentos e transbordamentos da rede de esgoto. As ações também podem contribuir para o funcionamento do sistema em períodos de chuvas intensas.
Parte dos problemas, segundo a Corsan, está relacionada ao descarte inadequado de materiais na rede. Óleo de cozinha, restos de alimentos, plásticos, panos e produtos de higiene pessoal podem provocar obstruções.
Por isso, o funcionamento do sistema não depende apenas das obras e da manutenção realizadas pela companhia. O uso correto da rede pela população também é apontado como essencial para evitar problemas.
Com 87,5% de cobertura, Cachoeirinha está próxima do patamar de 90% considerado como referência para a universalização prevista no Marco Legal do Saneamento.
Outros municípios atendidos pela Corsan já ultrapassaram essa marca. É o caso de Esteio, Aceguá e Pedras Altas. Torres apresenta 87,1% de cobertura, enquanto Santa Maria registra 83,2% e Quaraí, 81,9%.
A expansão ocorre em um cenário de aumento da cobertura de esgotamento sanitário no Rio Grande do Sul.
Quando a Aegea assumiu a gestão da Corsan, em junho de 2023, aproximadamente 19% da população atendida pela companhia tinha acesso ao serviço de esgotamento sanitário. Atualmente, a cobertura está em torno de 30%, com projeção de chegar a 31% até dezembro.
Embora a diferença de um ponto percentual possa parecer pequena, a companhia estima que ela represente cerca de 80 mil pessoas passando a ter acesso ao serviço — número equivalente à população de municípios como Ijuí, Santo Ângelo ou Cachoeira do Sul.
O desafio, segundo a Corsan, é ampliar esse avanço para que os municípios atendidos alcancem pelo menos 90% de cobertura com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
“Transformação de longo prazo”
Para a diretora-presidente da Corsan, Samanta Takimi, a evolução de municípios como Cachoeirinha mostra que a universalização começa a produzir resultados concretos.
“Universalizar o saneamento significa transformar cidades que já estão construídas, levando uma nova infraestrutura para ruas, bairros e comunidades onde a vida acontece todos os dias. Por isso, não é uma transformação que se faz apenas com investimento. Exige planejamento, execução, diálogo com os municípios e participação da população”, afirma.
Segundo ela, quando uma cidade se aproxima dos 90% de cobertura, os efeitos dos investimentos passam a ser percebidos de maneira mais concreta pela população.
“Quando uma cidade se aproxima dos 90%, começamos a enxergar de forma muito concreta o resultado desse esforço coletivo e o legado que estamos construindo para as próximas gerações”, completa.






