SAUL TEIXEIRA

Conto do mito: Uruguai vive o maior vexame da Copa de 2026

Se fosse apenas maluco, não teria problema. O treinador argentino Marcelo Bielsa é o retrato fiel de um dos maiores vexames da história do Uruguai em Copas do Mundo. 

O cidadão conseguiu uma proeza inédita: retirou o sangue do time. Perdeu o vestiário, brigou com os protagonistas. Teve inúmeros titulares fora por lesão, é verdade, mas as maiores digitais do fracasso são inegavelmente das mãos do argentino. 

Com apenas um joelho bom e (talvez) acima do peso, o ex-gremista Luisito Suárez teria vaga no time. Por favor, né? Brigou com o maior ídolo do país e afastou grande parte do apoio da torcida. Sem falar na relação conturbada com a imprensa, importante elo da equipe com a população. 

Quando a bola rolou, faltou futebol. As ausências de cinco titulares por lesão/falta de ritmo (Giménez, Araújo, Piquerez, Pellistri e Arascaeta) foram agravantes técnicos, claro! Mas o que o comandante fez para atenuar os problemas? 

Atuou três partidas com Bentancur + Ugarte. Enquanto isso, De La Cruz e Salazar, que poderiam legar mais dinâmica e criatividade no meio-campo, de fuera! 

A gota d’água foi a partida contra a Espanha. Craque não se tira de campo em jogo decisivo. Por pior que ele esteja. Federico Valverde deveu e muito na Copa. Entretanto, um chute, um passe, uma cobrança de falta poderiam mudar o destino da bicampeã mundial. Mais um capítulo da arrogância de Bielsa.

Cannobio e Maxi Araújo nas alas e um sistema de 3 zagueiros com Ugarte de líbero. Eis uma formatação que poderia ter dado melhor resposta. Que nada! “El Loco” consagrou o mais do mesmo do início ao fim. 

Sobre o goleiro, o retorno de Muslera às convocações em março se justificou pela péssima fase e pela instabilidade do colorado Rochet. Mas a titularidade do veterano na Copa foi um absurdo, principalmente pela insegurança e pelas falhas demonstradas jogos após jogo. 

O retrospecto do treinador em Copas do Mundo é pífio, com apenas três vitórias em dez jogos! Eliminado precocemente com a então favoritaça Argentina, em 2002, com Chile em 2010 e agora, num grupo que havia apenas a Espanha como pedreira e podendo ser até terceiro colocado. 

Era uma vez uma grife do futebol mundial que caiu no conto do mito. É raro, mas acontece bastante. 

Que venha 2030…

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