SEGURANÇA

Facção usava laranjas, jammers e contas bancárias para lavar dinheiro de roubos em Gravataí, Cachoeirinha, Canoas e região

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (12), a Operação Via Ápia, com cumprimento de mandados em cidades da Região Metropolitana, entre elas Gravataí, Canoas e Cachoeirinha.

A ofensiva é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e tem como alvo uma organização criminosa investigada por roubos de cargas e lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, 15 mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo telefônico, telemático, bancário e fiscal. Também houve bloqueio de contas bancárias e sequestro de imóveis.

As ordens judiciais foram executadas em Porto Alegre, Gravataí, Canoas, Cachoeirinha, Viamão, Alvorada e no estado de Santa Catarina.

Até o momento, seis pessoas foram presas. Segundo a Polícia Civil, três veículos, documentos e celulares também foram apreendidos durante a operação.

As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada e especializada na prática de roubos de cargas, principalmente contra motoristas de entrega.

Conforme a polícia, a organização possuía divisão de tarefas e uma estrutura hierárquica considerada sofisticada.

O núcleo operacional seria responsável pela execução dos roubos, utilização de veículos registrados em nome de terceiros e emprego de equipamentos bloqueadores de sinal, conhecidos como “jammers”.

Já o núcleo financeiro atuaria na movimentação de valores, fragmentação de depósitos e gestão de contas bancárias para dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.

Segundo a investigação, havia ainda um núcleo administrativo encarregado de formalizar contratos de locação de veículos e imóveis, além de providenciar documentação para dar aparência de legalidade às atividades.

A Polícia Civil afirma que o esquema utilizava uma rede de “laranjas”, formada principalmente por familiares e pessoas próximas ao líder da organização criminosa.

De acordo com os investigadores, a estrutura permitia a continuidade das operações criminosas mesmo em caso de prisões de integrantes do grupo.

A operação mobilizou cerca de 100 policiais civis e contou com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais.

Segundo a Polícia Civil, o objetivo da ofensiva é não apenas responsabilizar os investigados, mas também atingir financeiramente a organização criminosa, por meio do bloqueio de contas e sequestro de patrimônio.

A corporação informou que as investigações continuam.

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