SEGURANÇA

Falsos detetives, filmagens e ameaças: como quadrilha extorquia clientes de motéis na Região Metropolitana

A Polícia Civil deflagrou a Operação Segredo de Alcova, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa especializada em extorquir frequentadores de motéis em Porto Alegre e cidades da Região Metropolitana. A ação, iniciada na terça-feira, foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCPE/Dercc), sob coordenação do delegado João Vitor Herédia.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados judiciais, sendo cinco de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, nos municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas. Cinco pessoas foram presas, e a polícia apreendeu documentos e celulares que devem ajudar a aprofundar as investigações.

O esquema criminoso começava com a vigilância de motéis na capital e em cidades vizinhas. A quadrilha registrava, em fotos e vídeos, veículos — especialmente de alto padrão — que entravam ou saíam dos estabelecimentos.

De posse dessas imagens, os criminosos usavam técnicas de engenharia social e aplicativos de consulta de dados para identificar proprietários dos veículos, obter telefones, nomes completos e até informações sobre familiares.

Na etapa seguinte, os criminosos se passavam por detetives particulares. Por aplicativos de mensagens, entravam em contato com as vítimas dizendo terem sido contratados pelo cônjuge delas para investigar uma suposta traição. Como ameaça, afirmavam que poderiam divulgar as imagens registradas para familiares.

Para evitar a exposição, exigiam pagamentos via Pix, em valores que chegavam a R$ 15 mil por vítima. A investigação já identificou 10 vítimas formais, com prejuízo financeiro confirmado em quase R$ 10 mil. Somados todos os valores exigidos pela quadrilha, o montante ultrapassa R$ 21 mil.

A divisão de tarefas

A Polícia Civil apurou que o grupo funcionava com papéis bem definidos: operadora externa (uma mulher de 27 anos era responsável por fotografar veículos na frente dos motéis e por entrar em contato com as vítimas para exigir os pagamentos), coordenação técnica (de dentro do presídio de Charqueadas, um detento de 32 anos — preso desde 2016 e com extensa ficha criminal por extorsão, homicídio, estelionato e roubo — checava dados dos veículos e organizava o repasse de informações) e execução (em outra unidade prisional da cidade, três detentos agiam em conjunto, a partir de uma mesma cela, realizando as abordagens e exigências financeiras. Todos possuem antecedentes graves, incluindo homicídio, tráfico e organização criminosa).

Segundo o delegado João Vitor Herédia, a investigação revelou que o grupo mesclava tecnologia, vigilância e violência psicológica para explorar o medo das vítimas. “Esse tipo de crime utiliza a intimidade como arma, criando um constrangimento que leva a vítima a pagar pelo silêncio. Nosso trabalho foi interromper essa cadeia de extorsões e responsabilizar os envolvidos”, afirmou.

A Polícia Civil reforça que pessoas que forem alvo desse tipo de ameaça não devem efetuar pagamentos, mas sim procurar imediatamente as autoridades para registrar ocorrência.

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