Uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizada nesta quinta-feira (11) teve como alvo uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 21 milhões provenientes do tráfico de drogas. A ofensiva, batizada de Operação Apakani, resultou na prisão de 26 pessoas até o momento e cumpriu mandados em diversas cidades gaúchas, incluindo Canoas, Gravataí e Cachoeirinha.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), da Divisão de Investigações do Narcotráfico (DINARC), e pela Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal (DIPAC), ambas vinculadas ao Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC).
Ao todo, a Justiça autorizou 28 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 58 mandados de busca e apreensão. Também foram determinados bloqueios de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de 14 veículos.
Durante a operação, os policiais apreenderam R$ 22 mil em dinheiro e uma arma de fogo.
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em 2023, após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em Canoas.
A partir desse flagrante, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa que atuava na distribuição de maconha, cocaína e crack em larga escala no Rio Grande do Sul, utilizando rotas interestaduais e imóveis alugados em áreas nobres para armazenar drogas e dificultar o rastreamento policial.
Com o aprofundamento das apurações, a polícia passou a seguir o fluxo financeiro da organização, chegando ao núcleo responsável pela movimentação e ocultação dos recursos obtidos com o tráfico.
Como funcionava a lavagem de dinheiro
De acordo com a investigação, a organização utilizava diversas estratégias para esconder a origem ilícita dos recursos e inseri-los na economia formal.
O grupo teria movimentado R$ 21,3 milhões por meio de um complexo esquema financeiro que envolvia empresas reais, empresas de fachada e empresas fantasmas.
Entre os métodos identificados estão utilização de contas bancárias de terceiros, transferências entre diversas contas para dificultar o rastreamento, depósitos e saques rápidos, movimentações em casas lotéricas e caixas eletrônicos, fracionamento de valores em pequenas quantias, prática conhecida como “smurfing”, triangulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas e compra de veículos para ocultar patrimônio.
Segundo a polícia, o dinheiro do tráfico era pulverizado em dezenas de operações financeiras menores, passava por diferentes contas e retornava ao sistema econômico aparentemente desvinculado de atividades criminosas.
As investigações apontaram ainda que os valores circulavam entre líderes da organização, gerentes, operadores financeiros e integrantes responsáveis pela logística do tráfico em diferentes cidades.
A ofensiva teve forte impacto na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Mandados judiciais foram cumpridos em Canoas, cidade onde surgiu a investigação, além de Gravataí e Cachoeirinha, municípios que integravam o mapa de atuação dos investigados.
Também houve diligências em Porto Alegre, Eldorado do Sul, Nova Santa Rita, Farroupilha, Gramado, Caxias do Sul e Santa Maria.
Fora do Rio Grande do Sul, a operação alcançou municípios de Santa Catarina, como Florianópolis, São José, Palhoça, Criciúma, Balneário Rincão e Lauro Müller.
A investigação identificou ainda conexões com empresas localizadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Empresas eram usadas para dar aparência legal ao dinheiro
Um dos principais focos da operação foi o combate à estrutura financeira do grupo.
Os investigadores identificaram 21 empresas suspeitas de participar do esquema de lavagem de dinheiro. Conforme a Polícia Civil, essas empresas eram utilizadas para misturar recursos obtidos com o tráfico a receitas aparentemente legítimas.
A Justiça determinou a indisponibilidade de valores vinculados às pessoas jurídicas investigadas, numa tentativa de enfraquecer financeiramente a organização criminosa.
Além disso, foram realizados 58 bloqueios de contas bancárias e decretado o sequestro de veículos ligados aos suspeitos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em unidades prisionais do Rio Grande do Sul e do Paraná, incluindo a Penitenciária Estadual de Porto Alegre (PEPOA), a Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) e o Centro de Integração Social de Piraquara, no Paraná.
A suspeita é de que integrantes da organização continuassem coordenando atividades criminosas e movimentações financeiras mesmo estando presos.
A Operação Apakani integra a Operação Narke 6, iniciativa nacional coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça.
Segundo os delegados Adriano Nonnenmacher de Souza e Antônio Carlos Ractz Júnior, o objetivo é atingir não apenas os responsáveis pelo tráfico de drogas, mas também a rede financeira que sustentava a organização.
Para o diretor da DINARC, delegado Alencar Carraro, a investigação permitiu reunir provas robustas sobre a atuação de grandes distribuidores de drogas e seus mecanismos de lavagem de dinheiro.
Já o diretor do DENARC, delegado Carlos Henrique Wendt, destacou a integração entre Poder Judiciário, Ministério Público e as Polícias Civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina como fator decisivo para os resultados alcançados na operação.
A ação mobilizou 249 policiais civis gaúchos e 50 policiais civis catarinenses. As investigações seguem em andamento.






