coluna do cidade

Horário obrigatório

Guardo-me o direito de achar a perfeição

Uma ciência chata que transparece soberba e carência

Guardo-me o direito de permanecer o mesmo

Enquanto vocês transmutam em iluminação e transcendência

Guardo-me o direito de estar a esmo

De ser o asno tocado por um anjo

Que prova da hipocrisia, mas não se empanturra

De ser aquele que urra

Entre os girassóis e os senhores dos anéis

Amo flores, mas prefiro quem faz os arranjos

Com suas unhas e pele machucada pela natureza

Amo aquele que faz prece por seu prédio e seus alicerces

Aquele que se ocupa de si

Os que são bons por acaso

Aquele que, pelo outro

Regride

Aquele que ajuda de forma silenciosa

Quase muda

Que não faz grande caso

De sua competência

No que quer que seja

O tear da chaga que nos chega

Nos dá direito à troça da dor que não é nossa?

Bem sei que todos jovens mimados devem ser enganados

Pra que os falsos profetas sigam seus papéis

Mas as sinopses dos livros sagrados não bastam

Nem a leitura tangerínica de Lorca e seus gazéis

É preciso ter o tato do abstrato

É preciso ter os defeitos como retratos

Pra se ter o paraíso.

 

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Receba nossa News

Publicidade