A inscrição da chapa 1 para a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha antecipou nesta segunda-feira (15) a cassação do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (PP) entre dezembro e janeiro. A eleição acontece nesta terça, a partir das 18h.
As novas contas do Impeachment 1.0 e do Impeachment 2.0 apontam, nos bastidores, até para um 16 a 1. São necessários 12 entre os 17 vereadores.
Reeleita, Jussara Caçapava (Avante) será a prefeita interina até a convocação de eleição suplementar em até 180 após o afastamento do prefeito e vice.
A chapa inscreve Jussara como presidente, Gilson Stuart (Republicanos) como vice, Gustavo Almansa (PT) como primeiro secretário e o pastor Édison Cordeiro (Republicanos) como segundo secretário.
Caso Jussara assuma a Prefeitura em 2026, Gilson seria o presidente do Legislativo.
A nominata permite interpretar que a Oração a São PT — leia em ‘Oração a São PT’ ganha fiéis: a manhã que aproximou Cristian de quem pode salvar seu mandato em Cachoeirinha — não funcionou para Cristian e Delegado. Os dois vereadores petistas – Gustavo e Leo da Costa – devem repetir o “sim” dado na admissibilidade dos impeachments.
E a presença do pastor na chapa também é uma prece em potencial de que o vereador foi arrebatado politicamente e vai trocar o “não” da admissibilidade dos impeachments por um sim às cassações.
Cordeiro assinou até declaração aceitando a indicação. O Seguinte: teve acesso.

A conta vai mais longe.
As comissões dos impeachments devem afastar Jussara e Claudine Silveira (PP) das votações – a primeira por ser beneficiada com a cassação, já que assumiria a Prefeitura; a segunda por ser esposa do vice-prefeito e ter participado de forma ativa da defesa.
Os suplentes de Jussara, Gelson Braga (Avante), e de Claudine, Fernando Medeiros (PP), já estariam comprometidos a votar favoravelmente aos impeachments.
Há, ainda, a possibilidade de Uilson Droppa (Podemos) também trocar o “sim” pelo “não”, já que a votação acontece por ordem alfabética e, ao votar, já deve enfrentar um cenário de cassação consolidada de Cristian e Delegado.
Sobraria Cleo do Onze (MDB), principal aliado do prefeito.
Um arrasador 16 a 1.
O Impeachment 1.0 que averigua comunicação pública irregular, repasses nas enchentes e compra de telas interativas.
O vice já foi excluído deste processo.
O Impeachment 2.0, mais extenso e mais explosivo, apura de supostas ameaças a pedaladas no IPREC e contratos emergenciais.
Uma salvação no Judiciário só acontecerá em caso de descumprimento nos ritos. Decisão do TJ no sábado foi didática ao observar que a decisão de mérito, sobre as denúncias, é prerrogativa exclusiva da Câmara – leia em TJ restabelece impeachment 2 e reafirma autonomia da Câmara de Cachoeirinha para cassar — ou não — prefeito e vice.
Ao fim, “quando você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você”, é uma célebre citação de Nietzsche, da obra Além do Bem e do Mal.
Confirmadas as cassações, resta o alerta para Jussara e a futura gestão de Cachoeirinha. Cristian – e antes Miki – governaram com amplas maiorias, até o abismo engoli-los.
E, se o abismo olha de volta, por lógica talvez seja porque algo em você também interessa a ele.






