Respeito às tradições, escuta ativa e troca de saberes marcaram a visita da escola de samba Acadêmicos de Gravataí à Tekoá Nhe’engathu, aldeia do povo Guarani Mbyá localizada em Viamão, neste domingo. A atividade integra o processo de construção do enredo que a escola levará ao Carnaval 2026 e reforça o compromisso com a valorização das culturas originárias.
O encontro teve como objetivo aproximar a comunidade carnavalesca da cultura indígena — tema central do desfile — e confeccionar os colares que serão utilizados pela Harmonia Geral da escola na avenida. As peças foram produzidas de forma coletiva, em parceria com as mulheres da aldeia, em um momento de aprendizado mútuo e profundo simbolismo.
Mais do que adornos cênicos, os colares confeccionados carregam significados espirituais e culturais. A escola destaca que os objetos foram abençoados e representam a conexão direta com a narrativa que será apresentada no Complexo do Porto Seco, sob o enredo “Amazônia Táwapayêra – Aldeia Guardiã dos Encantos da Floresta”.
Cultura viva e território de resistência
A Tekoá Nhe’engathu, também conhecida como Retomada Nhe’engathu, é uma aldeia do povo Mbyá Guarani que representa uma retomada ancestral do território, marcada pela luta da comunidade pela regularização fundiária e pela preservação de seu modo de vida tradicional.
No idioma guarani, Tekoá (ou Tekoha) significa “lugar de ser” ou “lugar onde se vive o próprio modo de ser”, enquanto Nhe’engatu remete à “boa fala” ou “língua boa”. A aldeia enfrenta desafios relacionados à permanência na área e à garantia de direitos fundamentais, como moradia digna, saúde e educação diferenciada.
Ao realizar a visita, a Acadêmicos de Gravataí buscou ir além da pesquisa estética, promovendo um diálogo direto com a comunidade retratada no enredo e fortalecendo o caráter educativo e social do Carnaval.
Enredo construído com escuta e responsabilidade
Para a diretora de Harmonia Geral da escola, Aline Barros, a vivência na aldeia foi um momento fundamental no processo de preparação para o desfile.
“Estar na Tekoá Nhe’engathu foi um momento de aprendizado e conexão. Não viemos apenas buscar elementos para o desfile, mas construir uma relação de respeito e escuta com a comunidade. Cada colar carrega um significado e uma energia que vamos levar para a avenida com muito cuidado e responsabilidade”, afirmou.
A iniciativa reforça a proposta da Acadêmicos de Gravataí de construir um Carnaval que reconhece os povos originários como protagonistas de suas próprias histórias, valorizando a cultura viva e promovendo a conscientização do público por meio da arte.






