RAFAEL MARTINELLI

Polícia faz busca no gabinete e na casa do vereador de Gravataí Clebes Mendes; investigação corre em segredo de justiça

A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão no gabinete do vereador de Gravataí Clebes Mendes (PSDB) e também em sua residência, na tarde desta terça-feira. A investigação corre sob segredo de justiça. O parlamentar é ex-presidente do Legislativo e pré-candidato a deputado estadual.

Às 16h46 a delegada Amanda Andrade, responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), respondeu protocolarmente ao Seguinte:: “Não comento investigações em andamento”.

Pouco depois, a Rádio Gaúcha noticiou que a delegada informou que o inquérito apura um caso de estupro. Recebi áudio do boletim como “frequentemente encaminhado”.

O segredo de justiça, como é possível observar pela ocorrência que originou o inquérito, estaria relacionado ao fato de a denunciante ser menor de idade.

Um registro policial, ao qual o Seguinte: teve acesso, foi feito em 5 de março deste ano, a partir de um fato que, segundo os autos, teria ocorrido em janeiro de 2025.

Desde então, o processo percorreu o caminho institucional dos casos dessa natureza: Polícia Civil, Conselho Tutelar, Ministério Público e Judiciário. Depoimentos, laudos, encaminhamentos.

Agora, a busca e apreensão.

Entre os itens recolhidos pelos policiais estão um telefone celular e uma arma de fogo.

A defesa fala em “denunciação caluniosa”

A reação do vereador veio por meio de nota assinada pelo advogado Demétrius Barreto. O texto, encaminhado após contato do Seguinte:, adota dois eixos: cautela formal e ataque ao mérito da acusação.

A defesa afirma que ainda não teve acesso à íntegra da investigação e, por isso, não pode detalhar o caso. Ao mesmo tempo, informa que já foi registrado boletim de ocorrência por denunciação caluniosa.

E diz que adotará medidas judiciais em relação a possíveis vazamentos de imagens e documentos, justamente por se tratar de investigação sob sigilo.

A Câmara diz que não sabia

No plano institucional, o episódio também expôs um desencontro.

Consultado pelo Seguinte:, o presidente da Câmara de Vereadores de Gravataí, Dilamar Soares (Podemos), divulgou nota afirmando que não houve comunicação prévia sobre o mandado.

Segundo ele, o Legislativo não foi oficialmente notificado e não tem conhecimento das razões que motivaram a medida dentro do gabinete parlamentar.

Apesar da operação, Clebes participou normalmente da sessão da Câmara na noite desta terça-feira.

Segundo sua assessoria, ele deve se manifestar publicamente por meio de vídeo ainda hoje.

Ao fim, o caso reúne todos os elementos que exigem cautela máxima: investigação em andamento, segredo de justiça, possível envolvimento de menor de idade e versões conflitantes.

De um lado, uma apuração que avança e chega ao gabinete de um vereador. Uma figura pública e, portanto, passível a ter casos como este divulgado pela mídia. De outro, uma defesa que fala em acusação falsa e promete reação judicial.

Como sempre escrevo: não sou policial, promotor ou juiz. Aguardemos a investigação.

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