RAFAEL MARTINELLI

Secretário de Educação de Cachoeirinha é afastado por suspeita de falsificar diploma; entenda

O secretário municipal de Educação de Cachoeirinha, Ildo Junior da Silva Dias, foi afastado do cargo por 180 dias durante uma investigação que apura suspeita de falsificação de diploma escolar. A operação foi realizada na manhã desta segunda-feira (26) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) do Rio Grande do Sul.

Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão na residência do secretário, na sede da prefeitura e na Secretaria Municipal de Educação (Smed). Por determinação judicial, Ildo Junior também está proibido de frequentar órgãos públicos municipais durante o período de afastamento.

A investigação busca esclarecer se o secretário declarou ter concluído o Ensino Médio antes de obter a certificação correspondente. Documentos e dados que possam contribuir para a apuração estão entre os materiais procurados pelos agentes.

Segundo reportagem de GZH, assinada pelos jornalistas Humberto Trezzi e Kathlyn Moreira, as apurações indicam que Ildo Junior declarava ter concluído o Ensino Médio desde 2017, quando começou a exercer cargo comissionado no serviço público.

Entretanto, o secretário teria recebido apenas em 2025 o diploma de conclusão do Ensino Médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A diferença entre as datas levantou suspeitas sobre as informações de escolaridade apresentadas anteriormente.

A investigação procura reunir elementos para esclarecer as circunstâncias em que os documentos foram apresentados e verificar se houve irregularidade.

Até o momento, a suspeita é objeto de investigação, e não há, nas informações divulgadas, confirmação definitiva de que tenha ocorrido falsificação.

Ildo Junior é filho da prefeita de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, do Avante. Ela venceu a eleição suplementar após o impeachment do então prefeito Cristian Wasem (MDB) e de seu vice Delegado João Paulo (PP) pela Câmara de Vereadores.

A operação é conduzida pela Ficco, força-tarefa que reúne servidores da Polícia Federal, da Polícia Civil, da Brigada Militar, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal Federal.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Cachoeirinha afirmou que os documentos apresentados para o exercício do cargo foram conferidos e analisados pela Secretaria Municipal de Administração na época dos procedimentos de nomeação.

A administração municipal informou que pretende solicitar acesso aos autos do inquérito para conhecer os elementos que fundamentaram a investigação, buscar esclarecimentos e prestar informações à sociedade.

O município também declarou respeitar a decisão judicial, o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito à ampla defesa.

A prefeitura ainda afirmou que a gestão municipal continua funcionando normalmente, com a manutenção dos serviços públicos e das atividades administrativas.

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