O secretário municipal de Educação de Cachoeirinha, Ildo Junior da Silva Dias, foi afastado do cargo por 180 dias durante uma investigação que apura suspeita de falsificação de diploma escolar. A operação foi realizada na manhã desta segunda-feira (26) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) do Rio Grande do Sul.
Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão na residência do secretário, na sede da prefeitura e na Secretaria Municipal de Educação (Smed). Por determinação judicial, Ildo Junior também está proibido de frequentar órgãos públicos municipais durante o período de afastamento.
A investigação busca esclarecer se o secretário declarou ter concluído o Ensino Médio antes de obter a certificação correspondente. Documentos e dados que possam contribuir para a apuração estão entre os materiais procurados pelos agentes.
Segundo reportagem de GZH, assinada pelos jornalistas Humberto Trezzi e Kathlyn Moreira, as apurações indicam que Ildo Junior declarava ter concluído o Ensino Médio desde 2017, quando começou a exercer cargo comissionado no serviço público.
Entretanto, o secretário teria recebido apenas em 2025 o diploma de conclusão do Ensino Médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A diferença entre as datas levantou suspeitas sobre as informações de escolaridade apresentadas anteriormente.
A investigação procura reunir elementos para esclarecer as circunstâncias em que os documentos foram apresentados e verificar se houve irregularidade.
Até o momento, a suspeita é objeto de investigação, e não há, nas informações divulgadas, confirmação definitiva de que tenha ocorrido falsificação.
Ildo Junior é filho da prefeita de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, do Avante. Ela venceu a eleição suplementar após o impeachment do então prefeito Cristian Wasem (MDB) e de seu vice Delegado João Paulo (PP) pela Câmara de Vereadores.
A operação é conduzida pela Ficco, força-tarefa que reúne servidores da Polícia Federal, da Polícia Civil, da Brigada Militar, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal Federal.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Cachoeirinha afirmou que os documentos apresentados para o exercício do cargo foram conferidos e analisados pela Secretaria Municipal de Administração na época dos procedimentos de nomeação.
A administração municipal informou que pretende solicitar acesso aos autos do inquérito para conhecer os elementos que fundamentaram a investigação, buscar esclarecimentos e prestar informações à sociedade.
O município também declarou respeitar a decisão judicial, o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito à ampla defesa.
A prefeitura ainda afirmou que a gestão municipal continua funcionando normalmente, com a manutenção dos serviços públicos e das atividades administrativas.






