RAFAEL MARTINELLI

Sem explicação e sob rumores de CPI do sobrepreço das cestas básicas, presidente adia sessão da Câmara de Cachoeirinha; Os pizzaiolos

Sem explicações públicas, o presidente Edison Cordeiro (Republicanos) adiou a sessão da Câmara de Cachoeirinha desta terça para quinta-feira, 10h.

É o ‘sobrepreço’ que ganhou a sessão, após o escândalo das cestas básicas sob suspeita de superfaturamento; leia em Sobrepreço em cestas básicas para atingidos pelas inundações pode ser debitado na conta da reeleição do prefeito Cristian; O ‘Jogo dos Quantos Erros’ em Cachoeirinha.

E, reputo, mais uma medida que identifico como antirregimental da presidência, como aquela que tratei em Presidente da Câmara quer proibir líderes partidários de falar sobre prefeito em Cachoeirinha; O Rei Sol e a censura.

Começo por esta última, citando os artigos do Regimento Interno, com grifos meus.

Art. 73. O Plenário é o órgão deliberativo da Câmara Municipal e é constituído pela reunião dos Vereadores em exercício, em local, forma e quorum para funcionar.

§ 1º. A forma legal para deliberar é a Sessão.

Art. 74. As Sessões da Câmara Municipal serão:

I – Ordinárias, até 2 (duas) por semana, sendo 1 (uma) às terças-feiras, às 18 (dezoito) horas, e a outra em dia definido pelo Presidente;

O adiamento decidido pela presidência não foi submetido aos vereadores e desrespeita o Regimento Interno que fixa a sessão nas terças.

À sociedade, o adiamento foi comunicado em post no site e no Facebook da Câmara, sem nenhuma explicação.

Até o fechamento deste artigo, o presidente Edison Cordeiro não respondeu ao pedido de justificativa feito pelo Seguinte:.

Vamos então ao que chamo de ‘sobrepreço’ que ganhou a sessão.

Há um movimento pela abertura de uma CPI, cuja coleta das assinaturas poderia ser anunciada publicamente durante a sessão. São necessárias 6 entre os 17 vereadores. E parlamentares da base do governo Cristian Wasem (MDB) ainda não decidiram se apóiam a investigação.

A ‘lei do silêncio’ impera. Políticos só falam sob condição de anonimato. Mas minutos de conversa bastam para perceber que há constrangimento em negar as assinaturas e enfrentar eleitores chocados com o caso, mas, principalmente, o Grande Tribunal das Redes Sociais, aquele que não permite aos políticos mais do que a presunção de culpa.

Há indignação de vereadores da base com a exposição a que restam submetidos a quatro meses da eleição em suspeitas sobre distribuição de comida para os ‘pobres inundados de sempre’. O que, é praticamente um consenso, seria potencializado pela negativa de apoiar a CPI.

Um exemplo da dimensão do problema político que enfrenta Cristian é o vereador Otoniel Gomes, de seu partido, precisar ser convencido a não entregar a liderança do governo na Câmara.

Há outro dilema para os governistas.

A formatação do requerimento e a coleta de assinaturas devem ser feitas pelo vereador David Almansa (PT), que já investigava as compras de cestas básicas antes da divulgação de reportagem de Giovani Grizotti no Jornal do Almoço.

E Almansa é o principal adversário da reeleição de Cristian. Com prazo de até 120 dias, e com o vereador autor como presidente, a CPI transbordaria até as vésperas da eleição, com riscos de afogar a candidatura do prefeito.  

Próximos a Cristian consideram que a abertura de uma CPI pode deflagrar inclusive a construção de uma terceira via, que poderia unir parte da base e a parte da oposição que não se sente confortável em apoiar o PT.

Ao fim, o adiamento da sessão, mesmo que ainda venham a me provar ser regimental, é antisocial.

A Câmara é a Casa do Povo. Os vereadores, pelos critérios da proporcionalidade dos votos, representam 100% do eleitorado. É responsabilidade de cada um sair à luz e não restar nas sombras, em um momento de crise humanitária e política.

Coragem, vereadores! Para dizer sim, ou não. Afinal, CPI tem poder de polícia, mas é essencialmente um instrumento político. E não há ainda qualquer investigação sobre a compras das cestas básicas pelo sistema de justiça.

Ah, e que promovam sessões com portas abertas à comunidade. É inexplicável que as duas últimas reuniões tenham transcorrido a portas fechadas, sob a justificativa de que Cachoeirinha está em estado de calamidade.

Está lá, no Regimento Interno:

Art. 37. Qualquer cidadão poderá assistir às Sessões desde que guarde silêncio e respeito, sendo compelido a sair imediatamente do edifício, caso perturbe os trabalhos com aplausos ou manifestações de reprovação e não atenda à advertência do Presidente.

Ou ao menos se explique os motivos, presidente Edison Cordeiro.

Na polêmica que travamos em Dinheiro não é tudo, senhor presidente da Câmara de Cachoeirinha Edison Cordeiro, o senhor me identificou como “dono de pizzaria”, o que até hoje não compreendi. Fato é que suas medidas recentes podem permitir identificar outro tipo de pizzaiolo.

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