A kryptonita foi acionada em Cachoeirinha.
O vereador Paulinho da Farmácia (PDT) protocolou nesta quinta-feira pedido de licença não remunerada do mandato. No papel, um gesto administrativo. Na prática, um movimento cirúrgico.
Amarra o partido. Amarra a suplente. Amarra a oposição.
Com a licença, quem assume é Sueme Pompeo de Mattos (PDT) — justamente um nome que vinha sendo cogitado, nos bastidores, como a variável capaz de unir campos hoje fraturados na eleição suplementar de 12 de abril.
Relembro: Sueme era tratada como alternativa menos indigesta para uma frente ampla. Tinha trânsito com o grupo do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB), simpatia em setores do PT por representar o campo brizolista ligado a Juliana Brizola e baixa rejeição interna.
Era a equação pragmática.
Agora, a possível — mesmo que difícil — equação muda.
O efeito da kryptonita entra no modo azul.
O movimento de Paulinho também tem destinatária clara: a prefeita interina Jussara Caçapava (Avante).
Ele cresce no conceito do governo ao abrir mão do mandato — mesmo que temporariamente — e assumir a coordenação da campanha da reeleição. Sai formalmente da Câmara para entrar de corpo inteiro na eleição. E, de quebra, pavimenta seu projeto de disputar mandato de deputado federal em outubro.
Não é um gesto neutro.
Mesmo com dissidências internas — há forças no PDT que preferiam uma aliança com o PT de David Almansa, o PSB de José Stédile ou até com o MDB de Cristian Wasem e o PP do vice cassado — o partido deve oficializar apoio a Jussara na convenção das 18h desta sexta-feira.
Sueme, mesmo tendo se posicionado publicamente contra o impeachment, tende a seguir a decisão partidária. Permanecer vereadora em exercício depende disso.
Política é cálculo.
O fim da — improvável — unidade da oposição
Nos últimos dias, Sueme era o nome que rondava conversas em off como possibilidade real de evitar candidatura própria do PT e construir unidade oposicionista.
Era a única variável capaz de provocar revisão na decisão formal petista.
Agora assume mandato.
Com mandato, ganha vitrine — mas também ganha amarras.
Vereadora em exercício, presidente do partido e integrante de uma sigla que caminha para apoiar Jussara, a margem de manobra diminui drasticamente. A candidatura de unidade perde oxigênio.
A kryptonita não elimina o personagem. Apenas retira seus superpoderes.
Paulinho não esconde o próximo passo.
Vai coordenar a campanha de Jussara na suplementar e iniciar a construção de sua candidatura a deputado federal nas eleições de outubro.
Na oposição, o relógio corre.
Às vésperas das convenções, o fato político já não é mais apenas o nome novo que poderia unir.
É o movimento que o neutralizou.
E, como quase sempre em Cachoeirinha, não foi um discurso que mudou o jogo.
Foi um protocolo.
LEIA TAMBÉM
Às vésperas das convenções, um nome novo pode unir oposição em Cachoeirinha: Sueme — e a kryptonita






