Não foi surpresa. Foi confirmação.
O ex-prefeito de Cachoeirinha Cristian Wasem e sua esposa, Fabi Medeiros, oficializaram nesta segunda-feira a filiação ao União Brasil, partido presidido no Rio Grande do Sul pelo deputado federal Luiz Carlos Busato, ex-prefeito de Canoas.
O ato reuniu lideranças políticas e marca um reposicionamento estratégico que o Seguinte: vinha antecipando há semanas.
Mais do que uma troca partidária, trata-se de uma jogada com quatro camadas simultâneas: a eleição suplementar de Cachoeirinha, a disputa proporcional de outubro com a candidatura de Fabi a deputada estadual e a reeleição de Busato, o fortalecimento do União Brasil no Estado e, mais à frente, também a eleição municipal de 2028.
No primeiro teste, a tentativa de Cristian consolidar-se como o ‘Grande Eleitor’ da eleição do dia 12 de abril.
A filiação encerra uma sequência política que começou a se tornar pública quando Cristian apareceu em ato do União Brasil em Canoas, ainda filiado ao MDB. Naquele momento, como registrei, a política não anunciava — apenas aparecia no palco e falava como se já estivesse em casa.
Dias antes, o diretório estadual do UB havia intervindo no comando municipal de Cachoeirinha, assumido diretamente por Busato. Oficialmente, reorganização partidária. Politicamente, abertura de espaço.
O Seguinte: já apontava que o movimento tinha como coroação criar estrutura partidária para o grupo político de Cristian e viabilizar uma candidatura estadual da filha do falecido ex-prefeito Francisco Medeiros.
Agora, o roteiro se completa.
Fabi candidata; Cristian e Busato fiadores — e o articulador silencioso
Durante o ato, Busato convidou oficialmente Fabi Medeiros para disputar a vaga na Assembleia Legislativa. A ex-primeira-dama aceitou o desafio político sob o argumento de alinhamento programático com a legenda.
– Me senti acolhida desde o primeiro contato com o União Brasil. Nossa história é marcada por políticas públicas eficientes e entregas diretas para a população – afirmou.
A candidatura atende a uma equação política conhecida: Cristian está inelegível por oito anos após o impeachment de janeiro, mas mantém capital eleitoral relevante. A saída encontrada é transferir esse ativo político para uma candidatura do próprio grupo.
Cristian deixa claro o papel que pretende exercer.
– Vamos iniciar a reestruturação do União Brasil para que o partido seja protagonista nas eleições de 2028 – disse.
Traduzindo a linguagem política: organizar base agora para disputar poder depois. É Cristian quem já fala em 28.
Nos bastidores, a aproximação entre Cristian e Busato teve um operador político específico: Eduardo Quintana, ex-secretário de Meio Ambiente de Cachoeirinha e com passagem também pelo governo de Canoas.
Quintana atuou como ponte entre o grupo político de Cachoeirinha e a direção estadual do União Brasil, ajudando a construir o alinhamento que culminou na filiação desta segunda.
Na política regional, movimentos raramente acontecem por acaso — quase sempre são preparados longe dos holofotes.
Para Busato, a chegada do grupo tem peso eleitoral e simbólico.
– A chegada do Cristian e da Fabi é extremamente importante para o União Brasil, tanto para os pleitos deste ano quanto para 2028. São nomes muito bem quistos na cidade – afirmou.
O chefão do UB também fala em 28.
Cachoeirinha tornou-se peça estratégica na expansão da sigla no RS, especialmente após a federação nacional com o PP, que amplia a capacidade eleitoral do partido em disputas municipais e proporcionais.
As candidaturas apoiadas por Cristian na eleição suplementar são do PP: Claudine Silveira, vereadora e esposa do vice-prefeito cassado Delegado João Paulo Martins, e o pastor Marco Albernaz.
Na prática, Cristian entrega ao UB algo valioso: base política organizada em uma cidade-chave da Região Metropolitana.
E Busato entrega estrutura partidária e palanque estadual. Cristian tinha perdido a convenção do MDB por 29 a 24. Quatro dos cinco vereadores do partido tinham votado pela sua cassação. É um ‘partido-partido’.

O teste do ‘Grande Eleitor’
Mesmo fora da disputa direta, Cristian tenta transformar a eleição suplementar em plebiscito político sobre seu legado.
A estratégia já vinha sendo desenhada: apoiar candidaturas alinhadas ao seu grupo e medir nas urnas o tamanho real do capital eleitoral após a cassação.
A filiação ao União Brasil fortalece esse projeto ao oferecer identidade partidária clara e conexão com um projeto estadual maior.
O movimento também confirma algo que a política costuma demonstrar com frequência: inelegibilidade não significa irrelevância. Às vezes, significa apenas mudança de função.
Cristian deixa de ser candidato para tentar ser fiador eleitoral. Se conseguirá, as urnas dirão. Mas o reposicionamento está concluído.
Terá ao lado o pragmatismo implacável de Busato, que na crise do impeachment prestou em solidariedade a Cristian em Cachoeirinha. Coisa que não vi deputados do MDB fazer publicamente.
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