RAFAEL MARTINELLI

União Brasil intervém em Cachoeirinha em meio à crise e sombra de Cristian — ‘chefão’ Busato assume

Busato, deputado federal e chefão do UB gaúcho, assume comando em Cachoeirinha

A intervenção veio. E veio por unanimidade.

Nesta quinta-feira (19), o Diretório Estadual do União Brasil no Rio Grande do Sul deliberou pela intervenção no diretório municipal de Cachoeirinha e instituiu uma comissão interventora que será presidida pelo presidente estadual, o deputado federal Luiz Carlos Busato.

O gesto não é administrativo. É político.

Em nota enviada ao Seguinte:, Busato sustenta que Cachoeirinha é “município estratégico, em acelerado desenvolvimento, e fundamental para o fortalecimento do União Brasil no Estado”. Afirma que causou “estranheza” o partido não ter lançado candidaturas em 2024 — ano em que a sigla elegeu 21 prefeitos, 25 vice-prefeitos e 230 vereadores no RS.

O objetivo declarado é reorganizar o partido, fortalecer bases e construir projeto para 2026 e 2028.

Sobre filiações? Silêncio calculado.

– Qualquer informação sobre novas filiações e agendas partidárias serão divulgadas oportunamente – escreveu.

Não confirmou. Mas também não negou. E é justamente aí que mora o ponto. No caso, de interrogação.

A intervenção ocorre dias após a revelação de que Fabi Medeiros, esposa do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB), pode se filiar ao UB para concorrer a deputada estadual em outubro.

Busato foi solidário a Cristian, contra o impeachment de janeiro. Veio a Cachoeirinha, inclusive.

O movimento do prefeito cassado e da esposa no UB já havia sido antecipado pelo Seguinte:. E provocou crise interna no partido.

Documento da direção municipal, obtido pela reportagem, falava em articulação “à revelia da base partidária”, com filiação agendada sem consulta ao diretório local.

A Executiva Estadual reagiu.

Notificou o diretório municipal no dia 14, apontando três eixos: alinhamento com a atual gestão municipal contrariando orientação estadual de oposição; aceitação de cargos sem diálogo com o Estado; e inoperância partidária.

Concedeu 72 horas para defesa.

A resposta municipal foi dura: invocou autonomia partidária, negou descumprimento formal e classificou a hipótese de intervenção como arbitrária.

Hoje, a intervenção é fato consumado.

E mantém viva — talvez até fortaleça — a suspeita de que Cristian prepara terreno para ingressar no partido, mesmo inelegível por oito anos, para atuar como ‘Grande Eleitor’.

E, junto, filiar Fabi.

Além do papel que de ‘Grande Eleitor’ que tenta exercer na eleição suplementar para Prefeitura, com o lançamento da chapa Claudine Silveira (PP)-Cleo do Onze (MDB), revelada pelo Seguinte: nesta sexta-feira, Cristian é um potencial ‘Grande Eleitor’ de uma dobradinha na eleição de outubro: Fabi a estadual, Busato a federal.

Mesmo vinculado ao UB de Gravataí, o vereador Cláudio Ávila falou em nome do partido em Cachoeirinha. Ele ocupa assessoria especial da prefeita interina Jussara Caçapava (Avante).

Relativizou. Disse que, em cenário de Federação Partidária entre União Brasil e PP — na qual o PP exerce comando — “tanto faz intervenção ou não”.

Afirmou ter conversado com Busato e “compreendido os motivos”.

Ao fim, é a política do pragmatismo implacável.


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