A kryptonita foi acionada novamente, em Cachoeirinha.
Se na quinta-feira o movimento partiu do vereador Paulinho da Farmácia (PDT), agora é a vez de Pricila Barra. Ela também pediu licença do mandato.
No papel, mais um ato administrativo.
Na prática, o segundo movimento cirúrgico em menos de 48 horas.
Com a saída temporária, quem assume a cadeira é Nelson Martini. E o gesto não é isolado: ele atrai o Podemos para a campanha de reeleição da prefeita interina Jussara Caçapava (Avante).
É a kryptonita 2.
Depois de Paulinho abrir espaço para Sueme Pompeo de Mattos e amarrar o PDT no apoio à prefeita, o novo movimento amplia o cinturão político ao redor da candidatura governista.
E atinge outro ponto sensível da oposição.
O partido de Droppa
O Podemos é o partido de Uilson Droppa — um dos únicos três vereadores que votaram contra o impeachment do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (PP), em janeiro.
O gesto, portanto, tem simbologia.
Se no passado recente o partido esteve ao lado de Cristian na votação mais dramática da legislatura, agora se aproxima da adversária direta do grupo.
Política é movimento. E movimento é mensagem.
Assim como Paulinho, Pricila deixa a Câmara para assumir a coordenação da campanha de Jussara. Sai do plenário para o comitê.
O prazo para as convenções encerra domingo.
O relógio corre. E o que se vê é uma tendência: Jussara amplia alianças enquanto a oposição ainda busca uma síntese.
Cristian já definiu sua chapa, com dois vereadores: Claudine Silveira (PP), esposa de João Paulo, para prefeita, Cleo do Onze (MDB), seu fiel aliado, para vice. Apostou na identidade própria e no teste do ‘Grande Eleitor’.
Mas o campo oposicionista permanece fragmentado.
O PSB, com José Stédile, ainda calibra seus passos.
O PT, mesmo diante da insistência pública no “não” de David Almansa, convive com a possibilidade — ainda que remota — de recuo estratégico.
Enquanto isso, a base governista se expande.
Não por discursos.
Por protocolos.
O efeito dominó
Ao fim, a kryptonita não elimina adversários. Neutraliza superpoderes.
Ao retirar vereadores estratégicos da Câmara e integrá-los formalmente à coordenação da campanha, Jussara reduz a margem para dissidências e fortalece a narrativa de frente ampla administrativa.
A oposição, que já enfrentava dificuldades para construir unidade “contra o golpe”, vê diminuir as variáveis capazes de provocar rearranjos.
Primeiro o PDT. Agora o Podemos.
O movimento não garante vitória. Mas consolida terreno.
E, em Cachoeirinha, às vezes não é a retórica que muda o jogo.
É a licença protocolada no fim da tarde.
A kryptonita segue azul.
E o relógio não para.
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