RAFAEL MARTINELLI

Kryptonita 2: Pricila cede mandato para Martini, Podemos adere e Jussara amplia coligação em Cachoeirinha

Vereadora Pricila pediu licença para suplente Martini assumir

A kryptonita foi acionada novamente, em Cachoeirinha.

Se na quinta-feira o movimento partiu do vereador Paulinho da Farmácia (PDT), agora é a vez de Pricila Barra. Ela também pediu licença do mandato.

No papel, mais um ato administrativo.

Na prática, o segundo movimento cirúrgico em menos de 48 horas.

Com a saída temporária, quem assume a cadeira é Nelson Martini. E o gesto não é isolado: ele atrai o Podemos para a campanha de reeleição da prefeita interina Jussara Caçapava (Avante).

É a kryptonita 2.

Depois de Paulinho abrir espaço para Sueme Pompeo de Mattos e amarrar o PDT no apoio à prefeita, o novo movimento amplia o cinturão político ao redor da candidatura governista.

E atinge outro ponto sensível da oposição.

O partido de Droppa

O Podemos é o partido de Uilson Droppa — um dos únicos três vereadores que votaram contra o impeachment do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (PP), em janeiro.

O gesto, portanto, tem simbologia.

Se no passado recente o partido esteve ao lado de Cristian na votação mais dramática da legislatura, agora se aproxima da adversária direta do grupo.

Política é movimento. E movimento é mensagem.

Assim como Paulinho, Pricila deixa a Câmara para assumir a coordenação da campanha de Jussara. Sai do plenário para o comitê.

O prazo para as convenções encerra domingo.

O relógio corre. E o que se vê é uma tendência: Jussara amplia alianças enquanto a oposição ainda busca uma síntese.

Cristian já definiu sua chapa, com dois vereadores: Claudine Silveira (PP), esposa de João Paulo, para prefeita, Cleo do Onze (MDB), seu fiel aliado, para vice. Apostou na identidade própria e no teste do ‘Grande Eleitor’.

Mas o campo oposicionista permanece fragmentado.

O PSB, com José Stédile, ainda calibra seus passos.

O PT, mesmo diante da insistência pública no “não” de David Almansa, convive com a possibilidade — ainda que remota — de recuo estratégico.

Enquanto isso, a base governista se expande.

Não por discursos.

Por protocolos.

O efeito dominó

Ao fim, a kryptonita não elimina adversários. Neutraliza superpoderes.

Ao retirar vereadores estratégicos da Câmara e integrá-los formalmente à coordenação da campanha, Jussara reduz a margem para dissidências e fortalece a narrativa de frente ampla administrativa.

A oposição, que já enfrentava dificuldades para construir unidade “contra o golpe”, vê diminuir as variáveis capazes de provocar rearranjos.

Primeiro o PDT. Agora o Podemos.

O movimento não garante vitória. Mas consolida terreno.

E, em Cachoeirinha, às vezes não é a retórica que muda o jogo.

É a licença protocolada no fim da tarde.

A kryptonita segue azul.

E o relógio não para.


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