O prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon (PSD), voltou a comentar publicamente a saída do ex-secretário da Fazenda Davi Severgnini — o mais longevo titular da pasta na história recente do município e figura influente da política local.
Em declaração feita durante um jantar do PSD em Torres, nesta quarta-feira (5), o prefeito negou qualquer ruptura política com o ex-auxiliar e afirmou que as portas do governo seguem abertas.
– Não existe racha. Se ele quiser voltar, volta na mesma hora – disse Zaffa, segundo informação publicada na coluna do jornalista Diego Garcia no site POA 24 Horas.
De acordo com a coluna, interlocutores do prefeito afirmaram ainda que Zaffa e o deputado estadual Dimas Costa (PSD) estariam tentando convencer o ex-secretário a retornar à gestão municipal.
Prefeito e deputado sentaram na mesma mesa durante o jantar.
A declaração surge pouco mais de duas semanas após a saída de Davi do governo — um movimento que agitou os bastidores da política de Gravataí.
Como revelou com exclusividade o Seguinte:, Davi pediu demissão no dia 20 de fevereiro, após 11 anos à frente da Secretaria da Fazenda, Planejamento e Orçamento e 14 anos na Prefeitura.
A exoneração “a pedido” foi publicada no Diário Oficial do município depois que o próprio Davi procurou, às 6h da manhã, o então prefeito interino Dilamar Soares (Podemos), solicitando a formalização imediata da saída — sem esperar o retorno de Zaffa, que estava em férias.
Dila comunicou o prefeito, que autorizou a exoneração. O comando interino da Fazenda passou ao chefe de gabinete Rafael Evaldt.
Sem reunião final. Sem foto de despedida.
O ‘Zaffa do Zaffa’
Nos bastidores da política da aldeia, Davi era mais do que um secretário.
Durante anos, acumulou funções estratégicas no governo: guardião das contas públicas, coordenador político e principal articulador da base governista.
Foi ele, por exemplo, quem montou a maior coligação eleitoral da história de Gravataí na reeleição de Zaffa em 2024, após o rompimento com seu ‘Grande Eleitor’ na eleição de 2020, o ex-prefeito Marco Alba (MDB) — a III Guerra Política de Gravataí, depois de Abílio x Oliveiras e Bordignon x Stasinski.
Pela proximidade política e pessoal com o prefeito, chamava-o de ‘Zaffa do Zaffa’ — apelido que sintetizava a fidúcia e a influência raras que mantinha dentro do governo.
Nos bastidores, era tratado como possível sucessor do prefeito na eleição de 2028.
Na nota enviada ao Seguinte: após a saída, Davi classificou a decisão como o encerramento de um ciclo e disse deixar o cargo com “convicção de dever cumprido”.
Também sinalizou qual será seu novo foco político: atuar na reeleição do deputado estadual Dimas Costa, aliado do governo e que chamo ‘embaixador’ do governador em Gravataí.
– Ciclos se encerram naturalmente na vida pública – escreveu.
Assim, mesmo fora da Prefeitura, Davi deixou claro que continuará na política.
Ao fim, a fala de Zaffa em Torres indica que, ao menos do ponto de vista do prefeito, a história entre os dois ainda não terminou.
A declaração de que Davi poderia voltar “na mesma hora” ao governo mostra que a porta permanece aberta — e que a saída de um dos homens mais fortes da gestão ainda ecoa nos bastidores da política de uma Gravataí que enfrenta a mais grave crise financeira da última década.
Se haverá retorno, hoje só Davi pode responder.
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