RAFAEL MARTINELLI

Ocorrência feita pela mãe detalha denúncia contra vereador de Gravataí investigado por suposto estupro de vulnerável; político nega relato

Polícia Civil cumpriu mandado de busca no gabinete de Clebes no dia 7 / Foto: redes sociais

Seguinte: teve acesso ao registro de ocorrência policial nº 2408/2026, feito às 17h18 de 5 de março deste ano, na Delegacia de Pronto Atendimento da 1ª Delegacia Regional Metropolitana, que originou as investigações envolvendo o vereador de Gravataí Clebes Mendes (PSDB). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na terça-feira, no gabinete parlamentar e na casa do político.

O documento registra o caso como suposto estupro de vulnerável, com menção complementar a ameaça.

Clebes e sua defesa alegam que os relatos são falsos.

Alguns detalhes não serão publicados para preservar a identidade da suposta vítima. O processo corre sob segredo de justiça.

De acordo com a ocorrência, a denúncia parte da mãe de uma adolescente de 15 anos. Ela relata que a filha conheceu o vereador Clebes Mendes pelo Instagram e que os dois passaram a manter contato.

Segundo o registro, a mãe relata que, em 2 de janeiro do ano passado, o vereador teria buscado a adolescente em casa, em uma caminhonete, e, durante o trajeto até uma atividade esportiva, teria ocorrido o abuso sob ameaça com arma de fogo.

A mãe afirma ainda que o parlamentar teria utilizado sua condição de “famoso e político” para intimidar a jovem, dizendo que, caso fosse denunciado, mataria ela e a irmã.

O documento também descreve consequências relatadas no ambiente familiar: tentativa de suicídio, episódios de automutilação, abandono de atividades esportivas e prejuízo escolar.

A adolescente foi encaminhada a serviços de atendimento, incluindo CAPS, CREAS e, posteriormente, ao Centro de Referência às Vítimas de Violência Sexual (CRVVS), até chegar ao registro formal da ocorrência.

Após o registro, o delegado Maurício Alves de Sampaio determinou o encaminhamento da adolescente ao Departamento Médico-Legal do IGP para exame de verificação de violência sexual e avaliação psíquica.

Também foi requisitado o envio posterior do laudo pericial à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Gravataí, responsável pela investigação.

Embora tenha dito inicialmente ao Seguinte: que não comentaria investigações em andamento, informações creditadas à delegada da DEAM Amanda Andrade tem sido divulgadas em boletins diários por mídias do Grupo RBS.

Segundo estas informações, a vítima teria solicitado medida protetiva após relatar o episódio às autoridades no mês passado. A partir do depoimento, foi expedido o mandado de busca e apreensão.

Ainda de acordo com as informações creditadas à delegada, a arma apreendida na casa do vereador é compatível com o relato da adolescente — um dos elementos que sustentaram a medida judicial.

A Polícia Civil também recolheu um celular no gabinete do parlamentar, que será submetido à perícia.

Como já registrado, a defesa do vereador sustenta que não teve acesso à íntegra da investigação e fala em “denunciação caluniosa”. Também afirma que a arma é legal e registrada.

Em manifestação nas redes sociais, o parlamentar disse ser alvo de tentativa de “macular sua imagem política” e relacionou o caso ao calendário eleitoral — além de vereador e presidente do PSDB de Gravataí, Clebes lançou pré-candidatura a deputado estadual quatro dias após o registro da ocorrência.

Nesta quinta-feira, na Câmara, Clebes reafirmou inocência: “A ocorrência, o papel, aceita tudo. Se escreve o que quiser”. Ele informou não ter sido chamado para prestar depoimento.

Na tribuna, o vereador Cláudio Ávila (Avante), que é advogado, disse ter lido mensagens trocadas entre Clebes, a menina e familiares que ajudariam na defesa do parlamentar. Ávila levantou a suspeita de um suposto abuso ter sido cometido por outra pessoa.

O presidente da Câmara, Dilamar Soares (Podemos), procurou a delegada responsável pelo caso para buscar esclarecimentos. As investigações, porém, são sigilosas. E, conforme relatou, o caso ainda está no âmbito policial e não foi encaminhado ao Ministério Público ou ao Judiciário.

O presidente afirmou, também na tribuna, que não deve tomar nenhuma medida em relação a Clebes até que a Câmara tenha acesso a elementos “além de reportagens de jornais”.

Ao fim, há um registro policial com relato detalhado, há encaminhamentos periciais, há decisão judicial que autorizou buscas e há, também, uma defesa que contesta frontalmente o conteúdo da acusação.

De um lado, um relato grave, que mobiliza a rede de proteção e o sistema de Justiça. De outro, a negativa do investigado e a alegação de acusação falsa.

É como já escrevi em Polícia faz busca no gabinete e na casa do vereador de Gravataí Clebes Mendes; investigação corre em segredo de justiça: não sou policial, promotor ou juiz. Aguardemos as investigações. A presunção de inocência é consagrada constitucionalmente.

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