A convenção do Republicanos gaúcho homologou a candidatura de Bombeiro Batista para deputado estadual por Gravataí, em convenção neste domingo (26), na Assembleia Legislativa. Para a Câmara dos Deputados, a legenda lançou uma trinca caseira: o primeiro suplente de vereador José Telmo; a presidente do Mulheres Republicanas local, Tatiane Souza (Thaty Energia); e a professora Pricila Rivé, conhecida pelo trabalho social com ginástica na cidade.
O partido confirmou apoio à candidatura de Luciano Zucco (PL) para governador do Estado e Silvana Covatti (PP) para vice, e à de Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo) na disputa pelas duas cadeiras ao Senado.
A chancela de Bombeiro é o carimbo oficial em um movimento que venho analisando como o verdadeiro “teste de fogo” do vereador mais votado nas duas últimas eleições municipais. Ao decidir disputar uma cadeira na Assembleia, Bombeiro abre mão da comodidade do seu reduto eleitoral para testar seu tamanho real além das fronteiras do município.
Na política local, é inegável que ele tem base. No seu bairro, a Neópolis —já apelidada pelo vereador Cláudio Ávila (Avante) de ‘Bombeirolândia’ —, seu mandato é uma espécie de extensão da comunidade. Foi dali, “pela sua rua, pelo seu bairro”, que ele construiu uma trajetória calcada no assistencialismo, na presença obsessiva e no apelo popular. Quando lançou sua pré-candidatura no CTG Aldeia dos Anjos, mostrou força.
Contudo, fora dos limites de Gravataí, a ‘ideologia dos números’ ainda o coloca na posição de azarão. Se por um lado a nominata do Republicanos exige um piso de votos historicamente inferior ao de gigantes como o MDB ou o PSD, por outro, Bombeiro precisa provar que consegue asfaltar votos em BRs e RSs onde seu nome é um ilustre desconhecido.
Soma-se a isso a sua posição anatômica no ecossistema do governo municipal. Como já qualifiquei anteriormente nesta coluna, Bombeiro é a candidatura “patinho feio” da base de Luiz Zaffalon (PSD). A Realpolitik imposta por Zaffa não tem coração de mãe: o candidato a estadual do prefeito é o ex-deputado Dimas Costa (PSD), e o escolhido para federal é Juvir Costella (MDB). No recente aniversário de 73 anos de Zaffa, no CTG Carreteiros da Saudade, o prefeito deixou isso transparente para mais de mil pessoas. Zaffa esteve no evento de Bombeiro na Aldeia dos Anjos, circulou, mas não ficou para os discursos — um silêncio que, na linguagem do poder, grita.
Não bastasse a preferência do ‘Grande Eleitor’ — todo prefeito ao menos carrega essa responsabilidade em eleições municipais —por Dimas, as articulações paralelas do vereador também sofreram sobressaltos. A esperada dobradinha caseira com o vice-prefeito Dr. Levi Melo (Podemos), candidato a federal, parece restar quase em cinzas. Ainda mais com o Republicanos de Gravataí lançando três candidaturas à Câmara dos Deputados.
E, no mundo do oportunismo instagramável, Bombeiro ainda deu um tiro nas redes ao criticar a falta de assinatura da duplicação da ERS-020 pelo governador Eduardo Leite (PSD) — uma publicação que criava para ele um habeas corpus preventivo das cobranças pelo atraso na obras em seu bairro, mas que ao mirar no Piratini acabou acertando o próprio peito do prefeito Zaffa, gerando ruídos de bastidor.
Ao fim, como lembrou o filho de Bombeiro em um vídeo exibido no lançamento de sua pré-candidatura, “o pai me ensinou a saber perder”. Na política profissional, saber perder não é resignação; é etapa de construção.
Se Bombeiro retornar das urnas com uma votação expressiva fora da Aldeia, terá provado que seu capital eleitoral ultrapassou os muros da Neópolis, e pode sonhar com uma eleição estadual. Se a aventura não redundar em mandato, caberá a ele, conforme seu tamanho eleitoral, recalcular a rota já pensando na eleição municipal de 2028: se mantém o legado como vereador, ou tentar subir a Escada Magirus até uma candidatura a prefeito ou vice.
Aguardemos. A eleição de outubro vai mostrar se o caminhão de Bombeiro tem combustível suficiente para rodar o Rio Grande do Sul e — talvez o mais importante para sua sobrevivência política — se guarda água política suficiente para evitar que candidaturas com mais estrutura e apelo popular pulverizem seus apoios locais.
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