SEGURANÇA

Como foi a operação contra a facção mais violenta do RS que teve Cachoeirinha como epicentro

Uma operação da Polícia Civil mobilizou 120 agentes na terça-feira (28) para atingir a estrutura financeira e operacional da facção criminosa considerada a mais violenta do Rio Grande do Sul. Aa ofensiva, batizada de Operação Lilliput, cumpriu 168 ordens judiciais em municípios da Região Metropolitana e também em Santa Catarina, tendo Cachoeirinha como principal foco das investigações.

A ação foi coordenada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e busca desarticular um núcleo da organização apontado como responsável por homicídios, tráfico de drogas, extorsões, jogos de azar e lavagem de dinheiro.

Conforme revelou o jornalista Humberto Trezzi, em reportagem publicada por GZH, o principal alvo é Tiago Pequeno, apontado como a principal liderança da facção em Cachoeirinha. O nome da operação faz referência ao apelido do investigado: “Lilliput” é a ilha fictícia habitada por pessoas minúsculas no clássico As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.

Outro procurado, conhecido por Will, suspeito de atuar como gerente da quadrilha e investigado por envolvimento em 10 homicídios. Ele está foragido desde o fim de maio, quando escapou da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas após um esquema que teria contado com a participação de um policial penal.

Ainda de acordo com a reportagem de GZH, a investigação da Draco concentra esforços para desmontar um suposto esquema de lavagem de dinheiro estruturado por meio de empresas que serviriam para ocultar recursos obtidos com atividades criminosas.

A principal empresa investigada, que se apresenta como especializada em construção e prestação de serviços, não teria sede física nem funcionários. Mesmo assim, teria recebido aproximadamente R$ 13 milhões em contratos públicos nos últimos três anos, sendo cerca de R$ 3 milhões em Cachoeirinha e R$ 10 milhões em Canoas, conforme dados obtidos pelo Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado e divulgados por GZH.

Até a publicação da reportagem original, não haviam sido informados detalhes sobre quais órgãos públicos celebraram os contratos.

Bloqueio de R$ 81,5 milhões

Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de 33 contas bancárias e investimentos, totalizando R$ 81,5 milhões suspeitos de ligação com lavagem de dinheiro.

A maioria das ordens judiciais envolve também a apreensão de veículos de luxo pertencentes aos investigados.

Segundo disse a GZH o delegado Max Otto Ritter, diretor da Draco, o objetivo é enfraquecer a estrutura financeira da organização criminosa, interrompendo o fluxo de recursos e restringindo a movimentação patrimonial do grupo.

Além de Cachoeirinha, os mandados foram cumpridos em Gravataí, Canoas, Porto Alegre, Charqueadas e Itajaí (SC).

A Operação Lilliput integra a estratégia da Polícia Civil de atingir o patrimônio de organizações criminosas e reduzir sua capacidade operacional.

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