A novela ‘De Dias Gomes’ da eleição suplementar de 12 de abril ganhou mais personagens canhotos.
A federação PSOL/REDE de Cachoeirinha decidiu, na noite deste domingo (22), lançar candidatura própria à Prefeitura. Por unanimidade, o diretório escolheu Lais Cardoso para prefeita e Breno Munhoz para vice.
Mais uma chapa pura. Mais uma fragmentação no campo progressista.
A federação divulgou nota: “A federação PSOL/REDE escolheu por unanimidade dos presentes a indicação da companheira Lais Cardoso prefeita e do camarada Breno Munhoz vice-prefeito.”
Lais é vice-presidente da federação em Cachoeirinha. Formada em Artes Visuais e Fotografia pela Ulbra Canoas, estudante de Nutrição na Cesuca e Tecnologia de Alimentos na UFCSPA, construiu trajetória no movimento estudantil — militou pela queda do reitor da Ulbra e pelo pagamento de salários atrasados de professores.
Atua na área cultural, é feminista e levanta bandeiras como os direitos das mulheres, das pessoas com doença celíaca e com doenças raras, em especial a síndrome de Ehlers-Danlos.
Breno Munhoz é ex-vereador e ex-secretário de Meio Ambiente. Seu mandato teve como marcas a regularização fundiária, a pauta ambiental e o direito à moradia.
Na oposição, foi pedra no sapato dos governantes, com um rol de denúncias.
A federação entra na disputa com identidade programática clara. Sem coligação. Sem pedido de licença ao PT.
Leitura de bastidor: o PT é frágil
Nos bastidores agridoces da política, a interpretação é que o PSOL leu a candidatura petista como frágil. De construção. Sem competitividade imediata, mesmo tendo sido, nas duas últimas eleições, o PT protagonista do embate com o prefeito cassado Cristian Wasem (MDB) .
Como mostrei na reportagem PT-raiz: Tairone é o candidato; os ‘guris’ não foram ao sacrifício, o PT também optou por chapa pura com Tairone Keppler (PT) e Cláudia Protetora (PV). Decisão unânime. Sem David Almansa, candidato nas duas últimas eleições. Sem os dois vereadores, Gustavo Almansa e Leo da Costa.
Enfim, sem as principais estrelas.
Chapa militante. De coerência. Mas isolada.
A federação PSOL/REDE, então, teria feito o mesmo cálculo: se não há unidade, que se popularizem os próprios nomes. A eleição suplementar vira vitrine para 2028 — e para as proporcionais futuras.
Não é apenas disputa de abril. É construção de marca.
O cenário de hoje
O quadro de Cachoeirinha precisa ser lido sempre no dia. Ainda mais que o prazo para registro de candidaturas vai até a quarta-feira.
Hoje, Jussara Caçapava (Avante) governa com 9 partidos e 12 dos 17 vereadores. Cristian e vice cassado, Delegado João Paulo Martins, apoiam Claudine Silveira (PP). O ex-prefeito José Stédile disputa isolado no PSB. Assim como a federação partidária do PT, que vai de Tairone. E, agora, a do PSOL, com Lais.
Cinco candidaturas. Nenhuma unidade na oposição, na eleição que nasceu do impeachment — e que já mistura discurso de “golpe”, “batalha espiritual”, pragmatismo de maioria parlamentar e promessa de estabilidade.
Ao fim, o PSOL entra sabendo que a disputa é desigual. Mas entra.
Em eleições suplementares, às vezes, mais do que vencer, trata-se de existir.
Seja como semente, ou mesmo protesto.
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