José Stédile não desistiu de ser candidato a prefeito. A convenção deste domingo deve confirmar. Mesmo sem unidade da oposição. Mesmo após as conversas com o PT de David Almansa e com o grupo do prefeito cassado Cristian Wasem e do vice cassado Delegado João Paulo Martins terem restado em um latifúndio improdutivo político.
Não houve colheita. Mas haverá candidatura.
Possivelmente em chapa pura do PSB, mesmo um PSB que, depois da implosão provocada pela cassação de Miki Breier, não elegeu sequer representação na Câmara em 2024.
A vice deve ser Letícia Gomes.
Nos bastidores, o grupo trabalha com pesquisas internas.
A leitura é de que Stédile pode representar estabilidade em uma cidade que teve quatro prefeitos em menos de cinco anos — e que misturou noticiário político com policial com uma frequência constrangedora.
A marca a ser vendida é “Stédile Ficha Limpa”. Dois mandatos como prefeito. Dois como deputado federal. Secretário estadual de Obras. Atual diretor da Fase. Sem condenações.
Num ambiente de impeachment, cassação e suspeitas, o discurso é simples: previsibilidade. É o oposto do caos.
Mas a candidatura nasce isolada. O PT decidiu por chapa pura. O grupo de Cristian fechou com Claudine e Cleo. A prefeita interina Jussara Caçapava já tem Mano do Parque como vice.
A sonhada unidade da oposição virou terra improdutiva.
Stédile vai assim mesmo. Há quem lembre que, semanas atrás, interlocutores diziam que ele estava “com os olhos brilhando”. Ainda está.
Há passivos.
Foi o ‘Grande Eleitor’ de Miki — ainda que tenham rompido cedo. Carrega o sobrenome Stédile. É irmão de João Pedro Stédile.
O fato será explorado para afastar votos conservadores.
Por outro lado, votou a favor do impeachment de Dilma. O que não ajuda na busca por votos da esquerda.
Resta entre o MST e o impeachment.
Entre o conservador desconfiado e o progressista ressentido.
Mas é justamente nesse espaço desconfortável que a campanha pretende se instalar. O ‘extremo centrismo’.
Os cabeças brancas
Stédile tenta construir um arco geracional. Atrair os ‘cabeças brancas’ da política local.
Ex-prefeitos como Gilso Nunes e Maurício Medeiros. Ex-presidentes da Câmara como Charlante Stuart e Reni Tolentino.
Miki — que cabelos não mais tem — fora.
É a tentativa de apresentar experiência como antídoto ao desgaste institucional, resgatando a memória de seus governos entre 2001 e 2008.
Com ficha limpa.
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