Transitou em julgado nesta quinta-feira (11) a ação na Justiça Eleitoral que poderia cassar os mandatos do prefeito de Cachoeirinha, Cristian Wasem (MDB), e do vice-prefeito Delegado João Paulo Martins (Progressistas).
A AIJE — Ação de Investigação Judicial Eleitoral — que desde o ano passado ameaçava os dois encerrou após o Ministério Público Eleitoral ter pedido o arquivamento, a juíza Suélen Caetano de Oliveira decidir pela absolvição por falta de provas e o autor, David Almansa (PT), candidato derrotado na eleição de 2024, não ter apresentado recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
A ação eleitoral acusava Cristian e Delegado de abuso de poder político, econômico e midiático, além de suposto uso da máquina pública. Eram oito fatos: dos 14 mil pares de tênis à atuação nas enchentes, passando por perfis de redes sociais, férias de servidores e alegada pressão funcional.
“Fatos frágeis, sem potencial eleitoral”, escreveu a juíza. O Ministério Público já havia concluído o mesmo.
Não recorrer foi a primeira vela que acendeu Almansa contra a cassação política pelos impeachments em curso na Câmara de Vereadores. Depois, deu entrevista e manifestou contrariedade à perda dos mandatos em agenda com cardeais petistas no gabinete do prefeito, nesta semana — leia em “Cidade de faroeste”: Almansa critica sistema, mas diz não à cassação do prefeito em Cachoeirinha; a entrevista-bomba e ‘Oração a São PT’ ganha fiéis: a manhã que aproximou Cristian de quem pode salvar seu mandato em Cachoeirinha.
Prefeito e vice seguem sob ameaça de dois processos de impeachment, que nesta semana entraram na reta final, com oitivas de 47 testemunhas, e podem derrubar os dois ainda em 2025 — e levar a cidade, novamente, para uma eleição suplementar, assim como aconteceu após a cassação de Miki Breier (PSB) e Maurício Medeiros (MDB) em 22.
O que muda nos impeachments?
As denúncias da AIJE são pilar de parte das acusações do Impeachment 1.0, que averigua comunicação pública irregular, repasses nas enchentes e compra de telas interativas.
O vice já foi excluído deste processo.
Porém, a abertura da comissão processante já aconteceu após a absolvição pela Justiça Eleitoral de Cachoeirinha.
No Impeachment 2.0, mais extenso e mais explosivo — 64 páginas que vão de supostas ameaças a pedaladas no IPREC e contratos emergenciais — a AIJE aparecia como combustível político, mas não como base jurídica.
O julgamento pela Câmara continua. E é um jogo de milímetros: Cristian e Delegado precisam de seis votos para sobreviver. Para cassar, são necessários 12 votos entre 17.
Enquanto a AIJE se encerra, as oitivas dos dois impeachments se encerram nesta mesma semana. Testemunhas — 47 entre acusação e defesa — fazem fila no Legislativo, que vive seu momento mais tenso desde a queda de Miki.
O ambiente esquentou ainda mais com a intimação da presidente da Câmara, Jussara Caçapava (Avante), pelo Dercap. Ela reagiu acusando “uso político” da Polícia Civil e “narrativa artificial” construída por aliados do governo.
Jussara é peça-chave do tabuleiro: é justamente ela quem assume a Prefeitura em caso de cassação de Cristian e Delegado. E a intimação veio dias depois de Cristian tentar derrubá-la com um pedido de impeachment — rejeitado por 10 a 5.
Tratei da polêmica ontem, em Intimada pelo Dercap, presidente da Câmara reage e acusa uso político da Polícia em Cachoeirinha por prefeito e vice.
É como já escrevi: em Cachoeirinha é difícil completar um dia sem um novo capítulo explosivo.
Hoje foi a AIJE.
Amanhã, o impeachment.
Ao fim, será a vez do voto.
Semana que vem, talvez.






