Cristian Wasem chamou o contato, o contato veio. A tentativa do prefeito cassado de puxar o debate público sobre o acordo da ciclovia-meme de Cachoeirinha encontrou resposta em vídeo, com roteiro, documentos e cinco pontos de acusação direta.
O procurador-geral do município, Rodrigo Silveira, enviou ao Seguinte: e publicou nas redes uma manifestação que confronta a versão apresentada pelo ex-prefeito. O material passou a circular com força em grupos de WhatsApp e adiciona um novo elemento de desgaste político na semana decisiva da eleição suplementar em Cachoeirinha.
A polêmica da ciclovia-meme retornou ontem, a partir de duas reportagens do Seguinte:: Documento mostra: Cristian sugeriu acordo com empresa da ciclovia e agora trata como “escândalo”; veja sentença e Cristian reage e nega contradição sobre acordo da ciclovia-meme de Cachoeirinha: “Quis saber, não decidir”.
No vídeo, o procurador não suaviza: “vou provar em cinco pontos que o prefeito cassado continua mentindo pra ti”, afirma, dirigindo-se diretamente à população.
A resposta institucional — em formato de peça política — insere mais um capítulo na já folclórica saga da ciclovia que saiu do asfalto e entrou no algoritmo.
A decupagem do vídeo revela a estratégia de desconstruir, ponto a ponto, a narrativa recente de Cristian sobre o acordo firmado pela gestão interina de Jussara Caçapava com a empresa Brasília Guaíba.
No primeiro ponto, Silveira afirma que o próprio Cristian deu início ao processo de acordo ainda em 2023, ao solicitar autorização ao Tribunal de Contas do Estado, mas não levou a negociação adiante nem realizou o pagamento.
No segundo, sustenta que a omissão teve custo: segundo documento citado, o município poderia ter economizado cerca de R$ 3 milhões se tivesse quitado a dívida no momento adequado. “Esse dinheiro saiu do teu bolso”, diz.
O terceiro ponto trata do efeito clássico da inadimplência pública: juros. O procurador argumenta que o acordo atual teve justamente o objetivo de conter o crescimento da dívida, que poderia alcançar valores próximos a R$ 25 milhões caso a situação se arrastasse.
No quarto, rebate a tese de uso eleitoral do acordo. Segundo ele, tanto as negociações quanto a assinatura ocorreram antes da definição da data da eleição suplementar — portanto, fora do período eleitoral.
Por fim, amplia o escopo da discussão: o contrato não se limitaria à ciclovia, mas incluiria também obras de recapeamento na avenida Frederico Ritter, igualmente não pagas pela gestão anterior.
“Não estou defendendo empresa. Estou defendendo o município e uma gestão que honra seus compromissos”, afirma.
O choque com a versão de Cristian
A manifestação do procurador entra em colisão direta com o discurso recente de Cristian, que passou a tratar o acordo como “escândalo” e a questionar valores e prioridade da negociação.
Como mostrou reportagem anterior do Seguinte:, há um elemento incômodo para essa narrativa: documento assinado pelo próprio ex-prefeito, em 2023, apontando a composição judicial como caminho mais adequado diante do risco de derrota.
Cristian não nega o documento — mas o reinterpreta. Sustenta que se tratava de uma consulta jurídica, não de decisão. “Quis saber, não decidir”, afirmou.
A divergência, portanto, não é sobre a existência dos fatos, mas sobre o significado deles, um terreno clássico da política em tempos de campanha.
Ao fim, o episódio se soma a uma sequência de capítulos em que aquela que chamo ciclovia-meme — com tinta sobre piso tátil, memes e vídeos performáticos — deixou de ser apenas obra que é caso de incompetência pública para se tornar eixo central do debate eleitoral.
De um lado, documentos que indicam uma construção institucional do acordo ao longo dos anos, atravessando gestões. De outro, a crítica política concentrada no momento, nos valores e na condução final da negociação.
No meio, como escrevi ontem, a cidade, a ‘Pobre Cachoeirinha!’ — tentando entender se o que está em disputa é responsabilidade administrativa ou narrativa eleitoral.
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Assista ao vídeo na SEGUINTE TV.






