O Diretório Municipal do Progressistas (PP) de Cachoeirinha instaurou processo administrativo disciplinar contra o suplente de vereador Fernando Medeiros por ter votado a favor do impeachment do vice-prefeito Delegado João Paulo Martins — contrariando orientação formal do partido.
O Seguinte: teve acesso à documentação.
O processo tem como base deliberações unânimes da Executiva Municipal, registradas nas atas extraordinárias nº 01/2025 e nº 11/2025, realizadas em 21 e 30 de outubro do ano passado. Nelas, ficou estabelecido que todos os parlamentares filiados deveriam votar contra o impeachment.
Fernando, que assumiu temporariamente a cadeira na Câmara após o impedimento da vereadora Claudine Silveira (PP), por ser esposa do então vice-prefeito, participou das reuniões e, segundo a representação, tinha “ciência inequívoca da orientação partidária”.
Mesmo assim, na sessão de 2 de janeiro — que terminou com placar de 14 a 3 contra o prefeito Cristian Wasem (MDB) e 13 a 4 contra Delegado — votou favoravelmente à cassação. Seu nome está registrado entre os votos que consolidaram o afastamento do vice.
O documento aponta possível enquadramento nos artigos 91 e 92 do Estatuto do PP, que tratam de indisciplina e infidelidade partidária, com previsão de sanções que podem chegar à expulsão.
O argumento central é político: se o partido tivesse seguido unido contra o impeachment, o PP teria assumido a chefia do Executivo municipal.
Não assumiu.
A lanterna de Fernando
Fernando Medeiros reagiu em entrevista ao Seguinte:.
O primeiro suplente — engenheiro concursado do governo do Estado — invocou a imunidade parlamentar.
– Votei como vereador, resguardado pela imunidade parlamentar. Os vereadores são invioláveis por suas palavras, votos e opiniões – argumentou, acrescentando que seu voto não foi decisivo para o resultado final.
Ele também revelou bastidores.
Disse ter sido chamado por integrantes da executiva estadual do PP para prestar informações sobre o cenário municipal e que, ao lado dos atuais secretários e outros suplentes, como Marcelo Piton, comunicou sobre o interesse de participação do partido no governo da prefeita interina Jussara Caçapava (Avante).
Hoje, o PP ocupa as secretarias de Obras e Habitação e tem indicações para outros cargos.
– Já tinha carta de desfiliação pronta, mas me pediram para ficar. Não fui lá conspirar – afirmou.
Fernando diz que participará da convenção municipal marcada para o dia 22 e avisa: caso o partido lance candidatura própria de oposição a Jussara, defenderá que os filiados sejam liberados.
E foi além.
Sinalizou que o processo pode “jogar luz” sobre a gestão partidária na eleição de 2024, mencionando distribuição desigual de recursos.
– Uma candidata recebeu R$ 36 mil, a maioria dos demais, R$ 5 mil. Não chiei sobre a falta de isonomia. Agora é um bom momento para jogar luz sobre isso – disse, referindo-se à vereadora Claudine Silveira, esposa do vice cassado.
A crise interna está oficialmente aberta.
E Tiago Eli?
Há um ponto incontornável.
Se o PP abre processo contra o suplente que votou a favor do impeachment, é lógico que também deverá abrir contra o vereador titular Tiago Eli (PP), que igualmente votou pela cassação.
Tiago não era suplente. Era vereador em exercício. E seu voto também contrariou a deliberação partidária.
Se houver dois pesos e duas medidas, o discurso de disciplina perde consistência.
Se houver coerência, a comissão de ética terá trabalho dobrado.
Partidos partidos
O processo ocorre em meio à eleição suplementar marcada para 12 de abril, após a cassação de Cristian e Delegado.
A prefeita interina Jussara Caçapava (Avante) já anunciou Mano do Parque (PL) como vice, numa chapa que busca equilíbrio ideológico e pragmatismo eleitoral.
Nos bastidores, o PP é peça-chave.
Há a possibilidade de candidatura própria, com o nome de Claudine Silveira no radar. Ela é elegível — diferentemente da esposa de Cristian, Fabi Medeiros — e pode reorganizar forças do grupo que sustentou o governo cassado.
Cristian pode ser o ‘Grande Eleitor’ de Claudine.
Dos Grandes Lances dos Piores Momentos, o partido mantém espaços na administração interina.
Ao fim, tal a divisão — implosões e traições — nos partidos partidos de Cachoeirinha, que a única certeza é que, restantes raras exceções, as mesmas siglas estarão no futuro governo, seja qual for.
Lembra uma do Millôr: “É como eu sempre digo, o povo, que não entende nada de pesquisas, não erra nunca na sua previsão. A maioria vota sempre no candidato que ganha”.
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