A primeira agenda de Davi Severgnini (PSD) como titular da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Rio Grande do Sul (Sedur) foi em Gravataí. O nome da visita, “Institucional”; o sobrenome: “Política”.
Na sexta-feira (17), o chamado secretário “made in Gravataí” voltou à cidade onde construiu sua trajetória administrativa e política recente para uma agenda que, mais do que reforçar a aproximação com o governo de Eduardo Leite (PSD), expôs algo que, até pouco tempo atrás, parecia abalado: o grupo político que orbita o prefeito Luiz Zaffalon (PSD).
A sinalização não começou ali. Já havia sido dada, como mostrou reportagem anterior do Seguinte:, na reunião realizada em março na casa de Dimas Costa (PSD) — o ‘embaixador’ do governador na cidade —, quando Zaffa, Davi e vereadores sentaram à mesma mesa menos de um mês após a saída surpreendente do então secretário da Fazenda.
Agora, ganhou ato público, agenda oficial e, sobretudo, fotos.
Davi chegou acompanhado do ex-deputado estadual Dimas, hoje assessor especial da Secretaria Geral de Governo do Estado. Foi recebido no gabinete por Zaffa e por parte do primeiro escalão do governo municipal.
Participaram da agenda os secretários municipais Laone Pinedo (Fazenda, Planejamento e Orçamento), Eduardo Müller (Infraestrutura), o adjunto Mauro Greco, Mari Léia Bastiani (Desenvolvimento Humano e Capacitação) e Evandro Soares (Governança e Comunicação), além de servidores.
– Muito me alegra ver Gravataí sendo tão bem representada no governo Eduardo Leite – disse Zaffa.
Davi respondeu na mesma linha:
– O governador enxerga um grande potencial em Gravataí.
O que se fotografou foi um secretário que, pouco mais de um mês após deixar a Prefeitura sem despedida formal — como detalhado em reportagens anteriores do Seguinte: — retorna investido de poder estadual, mantendo pontes intactas.
A agenda seguiu para a Câmara de Vereadores. E, novamente, não faltaram sinais políticos.
Além de Davi e Dimas, estiveram presentes o presidente da Fundação de Proteção Especial do RS e ex-deputado federal por Gravataí, Jones Martins (MDB), o presidente do Legislativo, Dilamar Soares (Podemos), o Dila, e os vereadores Roger Corrêa (PP), Hiago Pacheco (PP), Mário Peres (PL), Guarda Moisés (Republicanos), Evandro Coruja (PL), Alex Peixe (PSDB), além das vereadoras Márcia Becker (PSDB) e Anna Beatriz (PSD).
A lista — pluripartidária — importa.
Porque, na política e seus prints eternos, presença também é posicionamento. Em uma de suas máximas, Millôr já brincava que, na política, “ausentes são mortos temporários”.
E o conjunto de nomes reforça o que já havia sido desenhado: não há esvaziamento. Há reorganização.
A saída de Davi da Prefeitura, em fevereiro, foi tratada — com razão — como um abalo.
Foram 14 anos no Executivo, 11 deles à frente da Fazenda, e um papel que ia além da técnica: articulador político, fiador da base e operador da maior coligação da história recente de Gravataí.
Era considerado no meio político o ‘Zaffa do Zaffa’, por ser potencial candidato à sucessão em 2028.
Saiu sem foto. Sem reunião final. Sem liturgia.
A ida para o governo estadual, como também já analisado, reposiciona Davi: sai da máquina municipal, ganha vitrine estadual e amplia raio de influência.
E a primeira agenda mostra que o grupo resiste — e se mostra.
Se a reunião na casa de Dimas serviu para estancar rumores de racha, a visita institucional-política cumpre outro papel: legitimar, diante do público, que o grupo segue operando.
Zaffa aparece ao lado de Davi. Dimas — que é pré-candidato a deputado estadual — aparece ao lado de ambos. Secretários municipais, vereadores e lideranças ocupam o mesmo espaço.
É política em estado puro: imagem, gesto e sinal.


Trincheira cavada
Ao fim, a leitura é obvia: o grupo que parecia tensionado após a saída de Davi mostra capacidade de recomposição — e, mais do que isso, de continuidade.
Formalmente, a visita tratou de desenvolvimento urbano, planejamento metropolitano e programas como Drenagem RS, Pavimenta e Desassorear — este último com ações já em andamento em Gravataí, como no Arroio Barnabé.
Politicamente, nem precisou tratar para simbolizar outra coisa: a manutenção de um arranjo de poder, a conexão entre município e Estado, a construção de um cenário que mira não apenas 2026, mas também a eternidade de 2028.
“Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes”, já receitava Churchill.
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