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Dos Grandes Lances dos Piores Momentos é que era possível concluir isso pela torcida dos que não querem apoiá-lo a prefeito de Gravataí em 2028: foi um erro Dr. Levi Melo (Podemos) ter concorrido a deputado federal em 2026.
Se o vice-prefeito não fosse às urnas neste pleito proporcional, ele era, além do que na política se tem por ‘candidato natural’, o Tercius perfeito — aquele líder capaz de unir os grupos divergentes no governo Luiz Zaffalon e se consolidar como o candidato de consenso à Prefeitura em 2028. Ou, no mínimo, teria autoridade política indiscutível para isso. Mas desceu à planície, não foi bem nas urnas e agora já carrega ao menos um veto público e pesado: o único eleito de Gravataí nesta eleição, o deputado estadual Dimas Costa (PSD), já escancarou em entrevista ao Seguinte: que, para a Prefeitura em 2028, não vai apoiar ninguém que concorreu em 2026 — ele próprio diz que não disputará a cadeira de prefeito.
Pelo que apurei nos bastidores, Levi foi convencido a concorrer. Os principais entusiastas do projeto teriam sido o secretário da Saúde, Régis Fonseca — seu desde sempre ‘número 1’ —, e o vereador mais votado da cidade, Bombeiro Batista (Republicanos), que também fracassou na eleição de 2026 ao concorrer a deputado estadual.
Os dois sonhavam em formatar uma chapa própria para a Prefeitura em 2028: Régis apoiaria Levi a prefeito, ou o teria como padrinho de uma candidatura; Bombeiro entraria como vice. Bombeiro apostou alto na dobradinha com Levi e no apoio decisivo de Régis, que comanda durante todo o governo Zaffa a secretaria de maior orçamento da cidade — e que gasta inclusive muito além da obrigação constitucional. A estratégia deu errado e expuseram o ‘Príncipe’.
Ao concorrer, Levi cometeu outro equívoco tático: tirou das urnas de 2026 e transportou diretamente para as urnas de 2028, como adversário, Dilamar Soares, o Dila — o mesmo que construiu em Gravataí o Podemos, partido no qual Levi se filiou para ser vice na chapa de Zaffa em 2024. Dila já tinha se apresentado como candidato a deputado federal e conta que foi surpreendido por Levi quando este retornou de sua terra natal, Uruguaiana, lançado também como candidato a federal, sem nenhum debate interno prévio no partido.
A partir dali, Dila passou a articular a própria eleição a prefeito para 2028. Próximo a Zaffa, Dila aproximou-se do grupo de Dimas Costa e Davi Severgnini, que lhe garantiram a eleição à presidência da Câmara para o mandato de 2026 — exatamente quando Levi, Régis e Bombeiro preferiam ver no comando do Legislativo o vereador Carlos Fonseca (Podemos). Em resumo: o Podemos está escancaradamente rachado. Dila não apoiou Levi a federal, preferindo fazer campanha para Maurício Dziedricki.
Relação azedada, gabinete do ódio e a ‘ideologia dos números’
Levi e Dimas chegaram a ensaiar uma aproximação em julho, mas o movimento não vingou. A relação entre os dois só piorou com o passar dos meses — seja pela dobradinha de Levi com Bombeiro, seja pelo episódio em que uma assessora de Levi virou alvo de operação policial sob a suspeita de operar um ‘gabinete do ódio’.
Nem mesmo a onda conservadora ajudou no arranque. O avanço da direita e extrema-direita, principalmente na reta final da eleição no Rio Grande do Sul — com Flávio Bolsonaro (PL) vencendo o primeiro turno e figurando como favorito no segundo, Luciano Zucco (PL) eleito governador em primeiro turno, a eleição dos senadores Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (NOVO), e a vitória de todos eles dentro de Gravataí —, não foi suficiente para alavancar a votação de Levi. E isso mesmo possuindo ele um discurso político que agrada desde a “direita limpinha” (como chama Eduardo Bolsonaro) até negacionistas que acham que o Bolsa Família é coisa de vagabundo.
É inegável o papel histórico de Levi na eleição de Zaffa em 2020 e na reeleição em 2024. Porém, o vice-prefeito viu nesta eleição de 2026 Dimas Costa — que abriu mão de disputar a Prefeitura em 2024 para apoiar Zaffa — fazer mais votos do que ele. Na entrevista ao Seguinte:, Dimas se apoiou na implacável ‘ideologia dos números’ para argumentar que, por ter feito mais votos do que todos os nomes da base governista que concorreram, ajudou decisivamente na reeleição de Zaffa — algo que muitos no governo ainda teimavam em contestar.
E sobre a ideologia dos números, o histórico do vice-prefeito revela algo: em 2008, Levi foi eleito vereador de Gravataí com estrondosos 3.057 votos; em 2010, concorreu a deputado federal pelo PMDB, fazendo 21.723 votos no RS e 16.699 em Gravataí; em 2016, disputou a Prefeitura pelo PSD, obtendo 19.420 votos e ficando em terceiro lugar entre os candidatos com votos válidos (atrás de Marco Alba, com 33.420, e Anabel Lorenzi, com 25.756, na disputa que teve a vitória anulada de Daniel Bordignon); em 2014 (após reatar com Marco Alba, a quem apoiou na eleição suplementar de 2017, protagonizando o episódio que chamei de ‘Cara de Levi’, quando ficou sem expressão após o PSD decidir apoiar Anabel e, poucas horas depois, ele anunciar apoio a Alba), concorreu a deputado estadual pelo MDB, fazendo 23.365 votos no RS e 15.620 na aldeia; em 2020, no Republicanos, foi eleito vice-prefeito com Zaffalon, somando 57.659 votos; em 2024, reelegeu-se vice pelo Podemos, com 64.125 votos; e, agora, em 2026, a federal, fez 12.215 votos na cidade (9,36%) e 16.264 no Estado (0,27%).
Os números parecem mostrar que Levi tem um teto eleitoral bem definido, seja como candidato do governo ou da oposição, com ou sem prefeitos de turno atuando como padrinhos eleitorais.
O ‘Zaffa Mãos de Tesoura’ e a falta do vilão perfeito em 2028
Na campanha de 2026, também faltou por parte de Levi uma defesa mais efusiva dos feitos do governo Zaffa e das estratégias para enfrentar a crise fiscal atual. Mas isso é uma característica geral da base governista, e não algo exclusivo de Levi — embora seja uma tarefa obrigatória para quem pretender ser o candidato do governo.
No caso de Levi, se confirmada a vitória de Flávio Bolsonaro, haverá um verdadeiro ‘alinhamento de arminhas’, com o controle simultâneo da Prefeitura, do governo do Estado, do governo federal e do Congresso por deputados e senadores aliados. Com isso, não restará no horizonte o vilão perfeito: o PT. Daqui a dois anos será preciso responder pelas entregas e omissões do próprio governo, algo que hoje muitos aliados só gostam de fazer na hora de tirar a selfie na obra, deixando para o prefeito o inglório papel do ‘Zaffa Mãos de Tesoura’.
Em relação à saúde física, vale registrar: Levi calou os ‘secadores de saúde alheia’ — algo que Davi Severgnini ao menos insinuou também sofrer de aliados do vice-prefeito. Levi provou que conseguiu conciliar com bravura a batalha pelo tratamento e reabilitação, com fisioterapias diárias, e a rotina da campanha. Não foi a saúde que o atrapalhou nas urnas e não será isso que o tirará da disputa pela Prefeitura.
Ao fim, Levi tinha mandato e um governo para ajudar no seu pior momento fiscal e político. Errou ao não se preservar e, de certa forma, arranhou a característica de ser competente em convencer de que é competente para ser um apaziguador e, principalmente, um bom puxador de votos.
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