CRISE CLIMÁTICA

Previsão indica Rio Gravataí acima da cota de alerta; o que dizem especialistas sobre comparação com 2024

O Rio Gravataí deve ultrapassar a cota de alerta entre sábado (25) e domingo (26), conforme o boletim divulgado na quarta-feira (22) pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Apesar da elevação prevista, os especialistas ressaltam que o nível esperado permanece muito abaixo do registrado durante a enchente histórica de maio de 2024.

Segundo a projeção do IPH, o rio, que nesta quinta-feira (23) está em 4,25 metros, deverá atingir 4,75 metros no domingo. Como comparação, durante a maior enchente da história recente do Estado, em 2024, o Gravataí chegou a 6,25 metros.

A principal preocupação está concentrada em áreas tradicionalmente afetadas pela elevação do rio, como a entrada de Cachoeirinha, parte de Alvorada e a região do Caça e Pesca, em Gravataí.

Especialistas alertam que, embora não exista previsão de uma enchente de grandes proporções, a população que vive em áreas próximas ao leito do rio deve acompanhar a evolução do cenário.

O aumento do nível do Gravataí não depende apenas da chuva registrada em sua bacia hidrográfica.

De acordo com o IPH, um dos principais fatores é o chamado efeito de represamento provocado pelo Guaíba. Quando o nível do lago sobe em razão do grande volume de água recebido dos rios Jacuí, Taquari, Caí e dos Sinos, a vazão do Gravataí encontra maior dificuldade para escoar.

Na prática, a água “retorna” para o curso inferior do rio, provocando a elevação do nível em municípios da Região Metropolitana.

O comportamento do Gravataí está diretamente ligado ao cenário hidrológico observado em outras regiões do Estado.

Segundo análise da MetSul Meteorologia, os rios Taquari, Caí, Jacuí, Sinos e Gravataí continuam despejando grandes volumes de água no Guaíba, o que mantém a tendência de elevação do lago até o fim de semana. A previsão indica risco de alagamentos principalmente nas ilhas de Porto Alegre, sem expectativa de transbordamento no Centro Histórico da Capital.

Ainda conforme a MetSul, o Gravataí deverá apresentar elevação na parte final da bacia, na Região Metropolitana, porém sem previsão de impactos expressivos, já que, apesar dos altos volumes de chuva nas nascentes, não houve precipitações extremas como as registradas em 2024.

O cenário também aponta que o Rio Taquari começou a apresentar tendência de queda nas áreas altas da bacia, enquanto o Rio Caí já atingiu o pico da cheia em São Sebastião do Caí e deve baixar gradualmente. O Rio dos Sinos ainda apresenta elevação lenta em alguns trechos e o Rio Jacuí continua recebendo grande volume de água, mas sem níveis considerados críticos até o momento.

Outra projeção divulgada pelo IPH indica que o Guaíba poderá atingir cerca de 2,70 metros no Cais Mauá, em Porto Alegre, no sábado (25), ultrapassando a cota de alerta, estabelecida em 2,60 metros. O lago transborda na região central da Capital quando alcança 3 metros.

Segundo disse o professor do IPH Fernando Dornelles em entrevistsa a GZH, caso não ocorram novas chuvas significativas, a tendência é que o nível do Guaíba leve cerca de três dias para começar a baixar. No entanto, a previsão de precipitações entre segunda (27) e terça-feira (28) poderá dificultar o escoamento da água, já que o solo permanece bastante encharcado após as chuvas dos últimos dias.

Outro fator considerado favorável, neste momento, é a ausência de vento forte do quadrante sul. Esse tipo de vento costuma represar as águas do Guaíba e acelerar a elevação dos níveis na Região Metropolitana.

Monitoramento em tempo real

A população pode acompanhar a evolução dos níveis dos rios, como o Gravataí, por meio do HidroWeb Mobile, ferramenta integrante do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), administrado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

O sistema disponibiliza informações em tempo real sobre índices de chuva, níveis e vazões dos rios, além de dados de reservatórios em todo o país, auxiliando equipes técnicas e órgãos públicos no monitoramento de eventos hidrológicos.

Embora o cenário atual inspire atenção, especialistas reforçam que a previsão permanece significativamente inferior aos níveis observados na enchente histórica de 2024, quando o Rio Gravataí atingiu 6,25 metros e provocou grandes impactos em diversos municípios da Região Metropolitana.

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossa News

Publicidade