RAFAEL MARTINELLI

Stédile desiste de concorrer a prefeito de Cachoeirinha; a ‘risada de Jussara’ e o plebiscito

José Stédile (E) desistiu da candidatura na eleição suplementar do dia 12

A política suplementar de Cachoeirinha acaba de perder um candidato — e ganhar mais um capítulo de fragmentação.

José Stédile não será mais candidato a prefeito. O PSB ficará fora da eleição do dia 12 de abril. Não apoiará nenhuma chapa.

A decisão foi confirmada ao Seguinte: por fonte da campanha do ex-prefeito. Enquanto esta reportagem era concluída, Stédile gravava vídeo para divulgar nas redes sociais.

A justificativa formal ainda virá no vídeo. Mas os motivos políticos já circulam.

Nos bastidores do governo Eduardo Leite, desde cedo corria a informação de que Stédile não se desincompatibilizaria da direção da Fase — passo obrigatório para quem registra candidatura. A lei exige afastamento em até 24 horas após o protocolo.

A convenção do partido aprovou a candidatura no domingo. O afastamento não veio.

A leitura prática é simples: a candidatura existiu enquanto houve margem para construção política. Sem unidade, restou o recuo.

Como revelei em PSB lança Stédile a prefeito, mas ainda negocia com grupo de Cristian e Delegado; a água política de Cachoeirinha, a candidatura do ex-prefeito já nascera com vírgula.

Chapa pura no papel. Porta entreaberta nos bastidores.

Stédile tentou construir unidade da oposição. Em determinado momento, interlocutores relatam que ele admitiu inclusive abrir mão da cabeça de chapa — desde que o PSB pudesse indicar o vice (não ele) numa composição com Claudine Silveira (PP), esposa do vice-prefeito cassado Delegado João Paulo Martins (PP) e apoiada pelo prefeito cassado Cristian Wasem (MDB).

Mas a negociação esbarrou em dois muros: o grupo de Cristian não abre mão de Claudine como candidata a prefeita; o registro da candidatura de Claudine, na noite desta terça-feira, encerrou qualquer margem formal para rearranjo.

A vírgula virou ponto final.

Cristian e Almansa: os que não agiram

A fonte ouvida pelo Seguinte: relata que Stédile manifestou frustração com duas figuras que, na avaliação dele, poderiam ter operado pela unidade da oposição e não o fizeram: Cristian Wasem e David Almansa (PT), segundo colocado na eleição pela Prefeitura em 2024.

Cristian, empenhado no teste do ‘Grande Eleitor’, mantém apoio fechado à candidatura de Claudine, como descrevi em Cristian fala em Deus e “articulações diabólicas” ao lançar Claudine a prefeita de Cachoeirinha; PP confirma pastor como vice e negocia com Stédile.

Almansa, por sua vez, ficou fora da majoritária. O PT optou por chapa pura com Tairone Keppler, como relatei em PT-raiz: Tairone é o candidato; os ‘guris’ não foram ao sacrifício.

Cada qual cuidou do próprio projeto.

A unidade, que Stédile defendia inclusive em áudio vazado — “a Jussara deve estar rindo de nós” — nunca se materializou.

Agora, resta a risada.

O ‘plebiscito’

Stédile tentou ocupar o espaço da estabilidade, do “ficha limpa”, da previsibilidade em meio ao laboratório político que virou Cachoeirinha.

Dois mandatos de prefeito. Dois de deputado federal. Secretário estadual. Diretor da Fase.

A marca era a experiência.

Mas experiência, sem unidade, vira isolamento.

Entre o pragmatismo de Jussara, a mística confrontacional de Cristian, a militância do PT e a identidade programática do PSOL, o PSB ficou sem campo competitivo.

A desistência evita um teste eleitoral que poderia reduzir capital político construído ao longo de décadas.

É cálculo. Não rendição.

Com a desistência de Stédile, a eleição suplementar deixa de ter cinco candidaturas e passa a ter quatro.

Jussara Caçapava (Avante), com Mano do Parque (PL), governando com 9 partidos e 12 dos 17 vereadores, como detalhei em Jussara Caçapava e Mano confirmam chapa com 9 partidos e 12 vereadores em Cachoeirinha; o samba da unidade — com MDB de Cristian & tudo.

Claudine Silveira (PP), apoiada por Cristian e Delegado João Paulo, na narrativa do “golpe” e da reparação.

Tairone Keppler (PT), em chapa pura, militante, ideológica.

Lais Cardoso (PSOL/REDE), também em candidatura própria, como mostrei em Lais e Breno: PSOL lê fragilidade do PT e decide construir seu próprio caminho nas urnas em Cachoeirinha.

A fragmentação permanece — apenas com um nome a menos.

Inscreve-se, na leitura do meio político, um plebiscito entre cassados e cassadores.

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